Faturas de serviço acima da média debatidas em juízo não podem ser cobradas por Amazonas Energia

Faturas de serviço acima da média debatidas em juízo não podem ser cobradas por Amazonas Energia

Havendo discussão em juízo de valores de consumos apurados unilateralmente pela Amazonas Energia não há que se falar em suspensão dos serviços essenciais devido ao não pagamento de supostas dívidas, se afastando a possibilidade de corte como meio de opressão ao consumidor. Com base nessas premissas jurídicas, a juíza Naia Moreira Yamamura deferiu pedido de tutela de urgência e determinou a religação de fornecimento de energia elétrica de Jenner Costa.

Na ação o autor alegou que os valores de faturas correspondentes às cobranças aumentaram grandiosamente após a inspeção realizada pela concessionária de maneira unilateral, sem a sua participação. Daí sobreveio que, ante a alta das faturas restou inviável o pagamento ante a não possibilidade de seus pagamentos, sobrevindo a discussão em juízo dos valores alegados exorbitantes e emitidos com base em inspeção unilateral. 

“A religação do fornecimento de energia elétrica é medida que se impõe, vez que tal prática restringe a sua atuação em termos financeiros” firmou a decisão, acolhendo que a demanda foi justamente para discutir a legalidade dos valores contestados. A Amazonas Energia pediu a reconsideração da decisão. 

O juiz Matheus Guedes Rios decidiu, então, que o mero descontentamento e discordância do entendimento da concessionária não enseja pedido de reconsideração, e ratificou os termos da decisão anterior, reafirmando que a concessionária não pode realizar cobranças que ultrapassem o limite do consumo médio mensal da Autora. Entretanto, advertiu que os efeitos da liminar apenas abrangem faturas que ultrapassem o consumo médio mensal.

Processo nº 0625185-68.2021.8.04.0001.

Leia a decisão:

Processo 0625185-68.2021.8.04.0001 – Procedimento Comum Cível – Fornecimento de Energia Elétrica – REQUERENTE: Jenner Medici Gadelha Costa – REQUERIDO: Amazonas Distribuidora de Energia S/A – Da análise do pedido de reconsideração de fl s. 123/132,
entendo que o mero descontentamento e discordância do entendimento deste juízo, por si só, não enseja o acolhimento do pedido de reconsideração, sendo certo que a decisão atacada não se mostra teratológica ou contrária à lei, já que trata-se de simples interpretação que pode ser combatida por recurso cabível. Ante o exposto, mantenho a decisão proferida às fls. 117/119 em todos os seus termos. No tocante ao pedido autoral, nota-se que este já foi apreciado, sendo decidido, em sede liminar, que a parte requerida não pode realizar cobranças que ultrapassem o limite do consumo médio mensal da parte Requerente, tendo como base as faturas anteriores a do mês 02/2020 (fl s. 117/119). Portanto, uma vez que as cobranças que deram origem a notificação de suspensão de fornecimento de energia estão dentro desse parâmetro, conforme se extrai às fl s. 245, entendo pela desnecessidade de reavaliação por parte deste juízo. Quanto aos demais pedidos, ressalto, de igual modo, que os efeitos da liminar apenas abrangem as faturas que ultrapassarem o consumo médio mensal, de modo que pode a Ré, caso a autora deixe de efetuar o pagamento das faturas cobradas de forma regular, utilizar-se de medidas restritivas de crédito. Por fim, manifestem-se as partes acerca das provas que ainda pretendam produzir, devendo mencionar qual a sua utilidade para o deslinde da causa, no prazo de 05 (cinco) dias. I. C

 

Leia mais

18 mil eleitores terão mudança no local de votação em Manaus; saiba quais são os novos endereços

Alteração provisória atinge 53 seções da 1ª Zona Eleitoral nos bairros Centro, Cachoeirinha e Nossa Senhora das Graças Cerca de 18 mil eleitores de Manaus...

Nulidade absoluta não pode ser deixada pela defesa para depois, reafirma STF

O Supremo Tribunal Federal reafirmou que uma nulidade processual, ainda que considerada absoluta, deve ser arguida pela defesa no momento adequado. Ao analisar recurso em...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Descumprimento contratual leva à rescisão de compra e venda de ágio de imóvel

A 2ª Vara Cível de Ceilândia declarou rescindido contrato de compra e venda de ágio de imóvel e determinou...

Sancionadas leis que criam fundos para a Justiça

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (4) três projetos de lei que criam e reestruturam...

PF afirma que Castro recebeu adega, mansão e caviar para ajudar Refit

A Polícia Federal (PF) apontou em relatório que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro obteve diversas vantagens...

Fachin dá 5 dias para Mendonça e Gonet responderem acusação de Moraes

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (4) cinco dias de prazo para que...