Claro não deve indenizar por supostas ligações excessivas se inexiste provas do dano moral

Claro não deve indenizar por supostas ligações excessivas se inexiste provas do dano moral

A Terceira Turma Recursal do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), em acórdão publicado no dia 02 de setembro, decidiu manter a sentença que julgou improcedentes os pedidos de indenização por danos morais movidos por um cliente contra a operadora Claro S.A., em razão de supostas ligações excessivas.

O julgamento, relatado pelo Juiz Flavio Henrique Albuquerque de Freitas, considerou que a parte autora não apresentou provas suficientes para corroborar suas alegações, mantendo assim a decisão de primeira instância.

No recurso inominado interposto, o autor alegou ser alvo de ligações reiteradas e excessivas por parte da empresa ré, o que, segundo ele, ultrapassaria os limites da normalidade e justificaria a reparação por danos morais. A operadora, por outro lado, defendeu que os contatos realizados estavam em conformidade com a legislação vigente e não configuravam abusividade.

Ao analisar o caso, a Turma Recursal destacou que a sentença de primeiro grau apreciou adequadamente as provas e aplicou corretamente o direito, razão pela qual deveria ser confirmada. O relator ressaltou que, apesar da inversão do ônus da prova prevista no Código de Defesa do Consumidor (CDC), é necessário que a parte autora apresente ao menos uma prova mínima dos fatos alegados, o que não ocorreu no presente caso.

O autor apresentou prints de tela como evidência das ligações, mas a Turma entendeu que tais documentos eram insuficientes para comprovar a conduta alegada, pois não foram acompanhados da indispensável ata notarial, conforme exigem os artigos 320 e 384 do Código de Processo Civil e a Lei dos Cartórios (Lei nº 8.935/94).

A decisão da Terceira Turma Recursal reafirma a necessidade de provas concretas para a configuração do dano moral, especialmente em casos onde se alega práticas abusivas por parte de empresas de telefonia. O recurso foi conhecido, mas não provido, mantendo-se a sentença que considerou as alegações da parte autora como meros dissabores, incapazes de ensejar uma condenação por danos morais. 

Processo n. 0021047-15.2024.8.04.1000  
Classe/Assunto: Recurso Inominado Cível / Indenização por Dano Material Relator(a): Flavio Henrique Albuquerque de Freitas Comarca: Manaus Órgão julgador: 3ª Turma Recursal Data do julgamento: 02/09/2024  Data de publicação: 02/09/2024 Ementa: RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. RELAÇÃO DE CONSUMO. TELEFONIA. ALEGAÇÃO DE LIGAÇÕES EXCESSIVAS E REITERADAS. PARTE AUTORA NÃO SE DESINCUMBIU A CONTENTO. MERO DISSABOR. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO

Leia mais

Policiais civis não devem exercer funções permanentes da Polícia Penal, decide TJAM

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que investigadores e escrivães da Polícia Civil não podem exercer, de forma permanente, funções próprias da...

Atividade potencialmente poluidora sem licença, por si só, configura crime ambiental, diz Justiça no Amazonas

Sentença afirma que não é necessária prova de dano efetivo ao meio ambiente para caracterizar delito previsto na Lei de Crimes Ambientais. O funcionamento de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Clínica é condenada após intercorrência em tratamento odontológico

A 12º Juizado Especial Cível da Comarca de Natal condenou uma clínica odontológica ao pagamento de indenização por danos...

Oficina mecânica é condenada a indenizar cliente por falha em conserto

A 21ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação de uma oficina mecânica...

Policiais civis não devem exercer funções permanentes da Polícia Penal, decide TJAM

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que investigadores e escrivães da Polícia Civil não podem exercer, de...

Criptomoedas podem quitar obrigações contratuais, e a oscilação de valor não invalida o negócio, decide STJ

​A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou válida cláusula contratual que prevê a utilização de criptomoedas...