Banco tem obrigação de comprovar existência de contrato de empréstimo

Banco tem obrigação de comprovar existência de contrato de empréstimo

Não mais suportando um desconto indevido que incidiu diretamente sobre seu contracheque, o aposentado Samuel Soares narrou a Justiça que não havia feito nenhum empréstimo com a Bradesco Promotora. Embora tenha, antes, tentado uma solução administrativa, não conseguiu solução para um impasse que lhe trazia mais do que um desconforto, pois o prejuízo com a soma dos descontos fora elevado. Moveu-se então a ação de de obrigação de fazer, se pedindo a declaração da inexistência da razão jurídica desses débitos. Sentença procedente. O Banco ao apelar alegou prescrição, cobrança justa da dívida, mas não se desfez do ônus de provar fato impeditivo do direito do autor. Decisão mantida. Foi Relator João de Jesus Abdala Simões. 

Quanto à prescrição, há posição consolidada do Superior Tribunal de Justiça de que o termo inicial de fluência do prazo prescricional é a data em que foi concretizado o desconto da última parcela do suposto contrato de empréstimo consignado. Deliberado: prazo prescricional não incidente. Alegação negada. 

Nas causas de natureza consumerista, havendo plausibilidade do direito alegado, como sói tenha se evidenciado nos autos submetidos à exame da Corte de Justiça, impõe-se o instituto da verossimilhança à favor do consumidor, e, a parte hipossuficiente tem o benefício da inversão do ônus da prova. Quem deve demonstrar que há fato impeditivo é o réu, se quiser desbancar o direito do autor. 

“O Apelante não colacionou aos autos o contrato de empréstimo supostamente firmado entre as partes que justificasse os descontos, deixando, assim, de trazer o único documento que poderia comprovar seu direito modificativo e demonstrar a legalidade dos descontos”, editou o julgado. Foi determinada a devolução dos valores descontados indevidamente. Verificado o defeito na prestação do serviço, em se tratando de relação de consumo, cabe ao banco comprovar a regularidade da contratação e o efetivo recebimento de valores do empréstimo. 

Processo nº 0720740-15.2021.8.04.0001

Leia o acórdão:

APELAÇÃO CÍVEL Nº 0720740-15.2021.8.04.0001. Apelante: Bradesco Promotora. EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO C/C. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. PRESCRIÇÃO INOCORRENTE. EMPRÉSTIMO. CONTRATO NÃO APRESENTADO DURANTE A FASE INSTRUTÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE JUNTADA EM SEDE DE APELAÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.

Leia mais

Defensoria amplia ofensiva e pede na Justiça medidas para impor limites em operações no rio Madeira

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) deu um novo passo na disputa judicial envolvendo as operações federais de combate ao garimpo ilegal...

PAD que termina com relatório pelo arquivamento não vincula autoridade julgadora

Não cabe ao Judiciário impedir a continuidade do PAD apenas porque a autoridade julgadora adotou conclusão diversa daquela sugerida pela comissão processante. De acordo...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Trabalhador que recebia apenas fast food como alimentação deve ser indenizado

Uma rede de lanchonetes deve pagar indenização por danos morais a um supervisor que recebia apenas lanches do tipo...

Jornadas de 16 horas e 13 dias sem folga: operador que cumpria jornadas exaustivas obtém rescisão indireta

A 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) reconheceu a rescisão indireta do contrato de...

Justiça do Trabalho nega indenização a trabalhadora com transtorno bipolar no RS

A 5ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região negou a uma analista de transformação digital o...

Indenização por bolsa roubada recai apenas sobre item com devolução atrasada

A 25ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 3ª Vara Cível...