Juiz Jean Pimentel divulga nota e nega acusação de fraude envolvendo a Eletrobras

Juiz Jean Pimentel divulga nota e nega acusação de fraude envolvendo a Eletrobras

Manaus/AM – O juiz Jean Carlos Pimentel dos Santos, da Comarca de Presidente Figueiredo, afastado do cargo pela Corregedoria na última sexta-feira (21), se manifestou por meio de nota, negando a acusação de fraude envolvendo a Eletrobras.

Em nota, o juiz esclareceu que o valor de R$ 150 milhões, alegadamente envolvido em prejuízo à Eletrobras, já foi integralmente devolvido à conta judicial. Ele destacou que, após a identificação do erro, determinou a devolução dos valores nas primeiras horas da manhã seguinte, antes mesmo de qualquer manifestação oficial das instâncias superiores.

O juiz também aponta que a Eletrobras já havia reconhecido sua responsabilidade pelos pagamentos do empréstimo compulsório em seu balanço patrimonial de 2020, período anterior ao ajuizamento da demanda, e que os títulos em questão passaram por uma rigorosa perícia, confirmando sua autenticidade.

Além disso, o juiz explicou que a Eletrobras somente se manifestou no processo após o bloqueio judicial realizado em 2022, quando ele não era o magistrado responsável pelo caso. Ele argumentou que, nesse momento, a empresa havia perdido os prazos processuais e se manteve em silêncio após a citação regular.

Pimentel também ressaltou que a Eletrobras está buscando questionar decisões já transitadas em julgado, incluindo a questão da competência estadual, que já havia sido apreciada pelo TRF1.

O juiz reafirmou seu compromisso com a transparência e integridade da atuação judicial, garantindo que todos os detalhes do caso estão devidamente documentados e poderão ser divulgados se necessário.

Leia a nota na íntegra:

“Encontro-me afastado de minhas funções pelo CNJ após ter atuado em conformidade com determinações provenientes de instância superior. Esta situação nos convida a uma reflexão sobre os limites e responsabilidades inerentes à atuação da magistratura brasileira.

Quanto ao alegado prejuízo de R$ 150 milhões à Eletrobras, cabe destacar:

A totalidade dos valores já retornou à conta judicial. Em juízo de retratação, determinei a devolução nas primeiras horas da manhã seguinte, anteriormente a qualquer manifestação oficial de instâncias superiores. A própria Eletrobras, em seu balanço patrimonial de 2020, período anterior ao ajuizamento da demanda, já reconhecia formalmente sua responsabilidade pelos pagamentos do empréstimo compulsório:

– R$ 2.665 milhões reservados para processos judiciais
– R$ 345 milhões para implantação de ações
– R$ 11.458.690 milhões previstos em passivos possíveis
– Planejamento de emissão de 22.358.186 novas ações específicas para estas obrigações

É relevante observar que a empresa somente se manifestou no processo após o bloqueio judicial realizado em 2022, período em que eu sequer era o magistrado do caso, tendo perdido os prazos processuais e permanecido silente frente à citação regular. Vale ressaltar que os títulos em questão passaram por rigorosa perícia, atestando sua autenticidade e validade.

Atualmente, a Eletrobras busca utilizar o CNJ para questionar no âmbito administrativo decisões já transitadas em julgado, inclusive sobre a competência estadual – matéria previamente apreciada pelo TRF1.

Reafirmo meu compromisso com a transparência e a integridade da atuação judicial. Os detalhes completos dos fatos e procedimentos adotados estão devidamente documentados e poderão vir a público caso as circunstâncias assim demandem”.

Leia mais:

 

CNJ afasta Magistrados do Amazonas do cargo após suposta fraude contra Eletrobrás

 

PF cumpre mandados de busca e apreensão em gabinete de desembargador do TJAM

Fique por dentro de tudo o que acontece no mundo jurídico e receba conteúdo exclusivo do Portal Amazonas Direito diretamente no seu WhatsApp! Clique aqui ⚖️

Leia mais

Teste de Aptidão Física: revisão de critérios esbarra em limites, diz STJ ao manter candidato eliminado

A atuação do Poder Judiciário em concursos públicos encontra limite na impossibilidade de substituir a banca examinadora na avaliação de critérios técnicos e objetivos...

Indenização devida: União deve compensar morte de técnico de enfermagem por Covid-19

A Justiça Federal no Amazonas condenou a União Federal ao pagamento da compensação financeira prevista na Lei nº 14.128/2021 ao companheiro de técnico de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Danos ao meio ambiente: Ibama multa Petrobras por vazamento em poço da Foz do Amazonas

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multa de R$ 2,5 milhões à...

STJ: Sentença nula não pode ser convalidada para manter prisão de réu

O Superior Tribunal de Justiça reafirmou que a negativa do direito de recorrer em liberdade exige fundamentação concreta, mesmo...

Vale o contrato: limite da margem consignável não se aplica a empréstimo com débito em conta

A 2ª Vara Cível da Comarca de Barbacena, do Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais, julgou improcedente ação...

Justiça do Maranhão proibe Uber de aumentar tarifas de transporte durante greve de rodoviários

Decisão da Justiça estadual do Maranhão, de 4 de fevereiro, impediu as empresas de transportes Uber e 99 de...