Facebook deve indenizar usuária que teve perfil hackeado para fins sexuais

Facebook deve indenizar usuária que teve perfil hackeado para fins sexuais

Manaus/AM – Facebook deve indenizar usuária que teve conta invadida por hacker que mandou mensagem de cunho sexual para outras pessoas. A decisão foi relatada pela Juíza Irlena Leal Benchimol, da 1ª Turma Recursal, do Tribunal de Justiça do Amazonas. Os danos morais foram fixados em R$5 mil.

Na ação, a autora narrou que seu perfil no Facebook foi clonado e que o hacker havia mandado mensagens de cunho sexual para os seus amigos, e ainda pediu dinheiro. Segundo os autos, a autora tentou recuperar o perfil, mas a senha havia sido alterada e a empresa se negou a ajudá-la. O Facebook contestou e alegou que adotou todas as medidas necessárias.

O processo foi distribuído para o juiz Antônio Carlos Marinho, da 12ª Vara do Juizado Especial Cível de Manaus, que concluiu que a referida rede social deixou de adotar as medidas adequadas, bem como não tomou providências necessárias para a recuperação do perfil da autora, que precisou criar um novo perfil para alertar os seus amigos sobre o ocorrido. Nesse sentido, o magistrado atendeu aos pedidos da usuária e condenou o Facebook a pagar R$10 mil pelos danos morais. A empresa recorreu.

Em segunda instância, a juíza Irlena Leal reformou sentença para diminuir o valor dos danos morais e registrou que “é salutar que se realize o arbitramento com moderação, em atenção aos parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, sem perder de vista a realidade da vida e as peculiaridades de cada caso”. Desta forma, julgou ser razoável a quantia de R$ 5 mil para fins indenizatórios.

Recurso Inominado Cível: 0791467-62.2022.8.04.0001

Leia a ementa:

RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS. FACEBOOK. CONTA INVADIDA. HACKER QUE MANDOU MENSAGENS DE CUNHO SEXUAL PARA OUTROS. AUSÊNCIA DE SEGURANÇA, EFICIÊNCIA E CONTINUIDADE DO SERVIÇO. SITUAÇÃO QUE AFETOU À HONRA E A IMAGEM DA PARTE AUTORA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. SENTENÇA REFORMADA APENAS PARA MINORAR O PAGAMENTO DO DANO MORAL, FICANDO NO PATAMAR DE R$ 5.000,00. PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. SEM CUSTA E HONORÁRIOS EM RAZÃO DO JULGAMENTO. (TJ-AM – Recurso Inominado Cível: 0791467-62.2022.8.04.0001 Manaus, Relator: Irlena Leal Benchimol, Data de Julgamento: 06/02/2024, 1ª Turma Recursal, Data de Publicação: 06/02/2024)

Leia mais

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no cálculo do Imposto de Renda...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido julgado definitivamente em outra ação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Citação por aplicativo ou rede social terá julgamento reiniciado no STJ

Corte Especial levará discussão ao plenário presencial; relator propõe validar a comunicação com confirmação da identidade do destinatário e...

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no...

Vítima de assédio sexual pode participar de processo disciplinar como terceira interessada

Segundo a Corte Especial do STJ, participação das denunciantes não compromete o direito de defesa nem afasta o dever...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido...