Consumidor tem o prazo de dez anos para ajuizar ações de revisão de contratos findos

Consumidor tem o prazo de dez anos para ajuizar ações de revisão de contratos findos

As ações de revisão de contrato bancário ajuizadas com o também pedido de devolução de valores pagos a maior tem natureza pessoal e o prazo de prescrição é elástico, tendo o interessado o período de 10 anos para acionar o judiciário sem que receie, antes do decurso desse interstício a perda desse direito. O tempo pode ser considerado suficiente, inclusive, para que a ação seja ajuizada mesmo que o contrato tenha sido cumprido ou extinto pelo pagamento. Assim agiu a consumidora Martha Ferreira contra o Banco Safra. Foi relatora do julgado em segunda instância a Desembargadora Maria das Graças Pessoa Figueiredo.

A ação se deu porque a interessada pretendeu o exame de pretensão que se respaldou na circunstância de que o contrato de financiamento de um veículo, no valor originário de R$ 25 mil para pagamento em 60 meses, teria sido configurado por ilegalidades contratuais, com abusividade na cobrança de taxas de juros. 

O banco alegou a prescrição do direito da consumidora, pois já havia decorrido o período de cinco anos ente a assinatura do contrato e a citação, argumentando que o Código Civil estabelece o prazo de 3 anos para o exercício do direito de pretender o ressarcimento de enriquecimento sem causa. 

A Relatora, no entanto, baseou-se no entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que firma que “as ações de revisão de contrato bancário cumuladas com pedido de restituição de valores possuem natureza pessoal e prescrevem em 10 anos, nos termos do disposto no Código Civil Brasileiro”. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado acerca da possiblidade de revisão de contratos findos pelo pagamento para afastar eventuais ilegalidades praticadas na relação jurídica. 

Processo nº 0633146-36.2016.8.04.0001.

Leia o acórdão:

APELAÇÃO CÍVEL N.º 0633146-36.2016.8.04.0001/Capital – APELANTE : MARCIA FERREIRA. EMENTA: APELAÇÃO. PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL. NULIDADE POR OMISSÃO NAINVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRELIMINARES REJEITADAS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATOBANCÁRIO C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃOPOR DANOS MORAIS. FINANCIAMENTO DE VEÍCULO. JUROS COMPOSTOS. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. REGULARIDADE CONTRATUAL. PRECEDENTE DO C. STJ. LIVRE MANIFESTAÇÃO DA VONTADE. PACTA SUNT SERVANDA. SENTENÇA MANTIDA.

Leia mais

Contribuinte não se beneficia: Revelia do Município não implica confissão sobre erro em lançamento

Segundo o despacho, a revelia constitui presunção relativa, insuficiente para conduzir, por si só, às consequências jurídicas pretendidas pelo autor. Em matéria tributária, a...

Sentença que reconhece negativação indevida e exige prova do prejuízo moral deve ser reformada

Negativação indevida gera dano moral automático, decide TJAM e reforma sentença que havia negado indenização. A inscrição indevida do nome do consumidor em cadastro de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Mendonça pede vista e suspende julgamento contra Eduardo Bolsonaro

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista e suspendeu o julgamento virtual do processo em...

CCJ aprova admissibilidade de propostas que acabam com escala 6×1

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) a...

Comissão aprova projeto que proíbe liberdade provisória para acusados de violência contra a mulher

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou proposta que proíbe a concessão de...

Justiça afasta condenação baseada apenas na proximidade de drogas

Encontrar drogas e uma arma nas proximidades de um suspeito, investigado com base em uma denúncia anônima, não é suficiente...