Cobrança integral da dívida em fatura de cartão consignado pode gerar danos morais, diz TJ-AM

Cobrança integral da dívida em fatura de cartão consignado pode gerar danos morais, diz TJ-AM

O empréstimo consignado por cartão de crédito funciona da seguinte maneira: o banco credita na conta bancária do cliente o valor solicitado e a cobrança integral é encaminhada no mês seguinte sob a forma de fatura. Se o cliente paga integralmente o valor contraído, nada mais será devido.

Não o fazendo, será descontado em folha de pagamento apenas o valor mínimo da fatura e, sobre a diferença, incidem juros mês a mês, que podem ser abusivos. Exige-se que, ante tantos detalhes, o Banco dê informação completa ao cliente sobre tudo, sob pena de que o contrato seja nulo, definiu o Desembargador Cezar Luiz Bandiera. 

Com recurso do Banco, examinando o tema, a Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas manteve decisão que declarou a nulidade de um contrato de cartão de crédito consignado por falta de informações ao cliente, determinando a devolução em dobro de descontos indevidos, além do pagamento de indenização por danos morais ao consumidor que foram fixados em R$ 5 mil. 

A decisão foi tomada em agravo interno cível (processo nº 0006068-41.2024.8.04.0000), sob relatoria do Desembargador Cezar Luiz Bandiera, e reafirma os direitos dos consumidores frente às instituições financeiras. De acordo com os autos, ficou constatada violação ao dever de informação por parte do banco.

O consumidor foi induzido a erro ao contratar um produto financeiro diverso do pretendido, o que levou à retenção indevida de valores. A decisão faz referência ao Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) nº 0005217-75.2019.8.04.0000, que fixou diretrizes para verificar a validade de contratos de cartão de crédito consignado.

A relatoria destacou que, embora o banco sustentasse a legalidade da contratação, a análise dos documentos e mídias juntados no processo revelou que não foram atendidos os requisitos estabelecidos pelo item II do referido IRDR. O descumprimento do dever de informação levou à aplicação do artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor (CDC), determinando a devolução em dobro dos valores pagos indevidamente.

Além disso, a indenização por danos morais foi considerada apropriada, tanto pelo quantum fixado quanto pela razoabilidade e proporcionalidade em comparação a casos similares. A decisão também reiterou a aplicação do Código de Defesa do Consumidor às instituições financeiras, conforme previsto na Súmula nº 297 do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Processo n. 0006068-41.2024.8.04.0000  
Classe/Assunto: Agravo Interno Cível / Defeito, nulidade ou anulação
Relator(a): Cezar Luiz Bandiera
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Segunda Câmara Cível
Data do julgamento: 09/01/2025
Data de publicação: 09/01/2025

Leia mais

STF mantém retirada de vídeos de Salazar contra David, mas libera bordão “Nunca será”

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao analisar publicações do vereador Alexandre Salazar contra o ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao...

Excesso de formalismo em prestação de contas não justifica devolução integral de recursos

A comprovação da execução de um projeto cultural pode prevalecer sobre irregularidades formais na prestação de contas quando não há indícios de desvio de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

TRF-1 afasta responsabilidade automática de tomador de serviços por acidente de trabalho

Contratação de profissional especializado não transfere automaticamente ao tomador a responsabilidade por acidente de trabalho. A contratação de profissional especializado...

Lei não exige grau mínimo de deficiência para acesso a vagas reservadas em concurso,diz TRF-1

A legislação brasileira não exige que a deficiência seja grave ou incapacitante para garantir ao candidato o direito de...

Limitação física não se confunde com deficiência para concessão do BPC

A existência de uma limitação física não é suficiente, por si só, para garantir o Benefício de Prestação Continuada...

Restabelecimento de adicional após mudança de local de trabalho não garante valores retroativos

O restabelecimento administrativo do adicional de insalubridade não significa, automaticamente, que o servidor tem direito a receber valores referentes...