TJAM condena Banco por falha em prevenção de golpe do Pix

TJAM condena Banco por falha em prevenção de golpe do Pix

O Tribunal de Justiça do Amazonas condenou uma instituição financeira a indenizar uma correntista após a realização de uma transferência indevida via PIX. O recurso, desfavorável a Instituição, foi relatado pelo Desembargador Yedo Simões de Oliveira, do TJAM. 

A autora relatou que, ao acessar sua conta em outubro de 2022, constatou que um valor de R$ 12.600,00 havia sido transferido sem seu consentimento. Diante da tentativa frustrada de resolver a questão de forma administrativa, a cliente acionou o banco judicialmente, requerendo indenização por danos morais e materiais.

A sentença destacou a responsabilidade objetiva da instituição financeira, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ressaltando que o banco falhou no dever de garantir a segurança nas transações. Apesar de argumentar a possibilidade de culpa de terceiros ou da própria cliente, o banco não conseguiu comprovar a regularidade da operação, nem forneceu provas de que o PIX foi realizado com a senha pessoal ou autenticação biométrica da autora.

Com base na ausência de prova e na falha na segurança, o juiz Roberto Hermidas de Aragão Filho, da 20ª Vara Cível entendeu que o banco deveria restituir o valor transferido de maneira indevida. Além disso, o dano moral foi reconhecido devido à frustração e ao abalo emocional sofrido pela autora, sendo fixada uma indenização de R$ 5.000,00.

O relator da apelação, desembargador Yedo Simões de Oliveira, manteve a condenação do Banco Intermedium, destacando a responsabilidade da instituição por falhas de segurança e reafirmando que o valor arbitrado está em consonância com o entendimento da corte estadual. A decisão reforça o entendimento de que as instituições financeiras são responsáveis pelas fraudes bancárias, especialmente quando falhas de segurança são evidentes.

A decisão de Segunda Instância ressalta a aplicação da Súmula 479 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que define sobre a responsabilidade objetiva dos bancos, e do método bifásico para o cálculo da indenização por danos morais. Os recursos apresentados pela instituição financeira foram desprovidos, confirmando-se, desta forma, a sentença favorável à consumidora. 

Processo n. 0770821-31.2022.8.04.0001  
Classe/Assunto: Apelação Cível / Obrigação de Fazer / Não Fazer
Relator(a): Yedo Simões de Oliveira
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Segunda Câmara Cível

Leia mais

Justiça mantém sob monitoração eletrônica médico investigado por morte de recém-nascido no Amazonas

O juiz Odílio Pereira Costa Neto, da Vara Única de Eirunepé, manteve a monitoração eletrônica imposta ao médico Humberto Fuertes Estrada, investigado pela morte...

STF afasta cabimento de reclamação contra ato do CRM/AM que negou registro médico por revalidação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento a reclamação constitucional ajuizada por médico formado em Cuba que buscava reverter ato do...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Em ação com a Interpol, PF prende em Dubai hacker do caso Banco Master

A Polícia Federal (PF) prendeu, no sábado (16) o hacker Victor Lima Sedlmaier, um dos investigados na Operação Compliance...

Justiça mantém sob monitoração eletrônica médico investigado por morte de recém-nascido no Amazonas

O juiz Odílio Pereira Costa Neto, da Vara Única de Eirunepé, manteve a monitoração eletrônica imposta ao médico Humberto...

STF afasta cabimento de reclamação contra ato do CRM/AM que negou registro médico por revalidação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, negou seguimento a reclamação constitucional ajuizada por médico formado em Cuba...

STF mantém tese de que perda de cargo de promotor de justiça independe de trânsito penal

STF mantém possibilidade de perda de cargo de membro vitalício do MP sem prévia condenação penal definitiva. A Primeira Turma...