Um movimento articulado no Supremo Tribunal Federal para retomar julgamentos e restringir penduricalhos na magistratura recoloca na agenda institucional o debate sobre a aplicação do teto constitucional e a regulamentação de verbas acessórias no Judiciário.
A iniciativa conta com apoio do Conselho Nacional de Justiça e ocorre em meio a um contexto de repercussão pública envolvendo a atuação da Corte.
Do ponto de vista jurídico, a estratégia em discussão envolve a combinação de decisões do próprio STF com atos normativos do CNJ, com o objetivo de uniformizar critérios aplicáveis em âmbito nacional. O debate gira em torno da interpretação de verbas indenizatórias e de pagamentos retroativos que, na prática, têm permitido remunerações acima do teto constitucional previsto no art. 37, XI, da Constituição.
No plano institucional, o presidente do STF, Edson Fachin, tem buscado apoio de dirigentes de outros tribunais superiores para avançar na discussão. Entre eles estão o Superior Tribunal de Justiça, atualmente presidido por Herman Benjamin, e o Tribunal Superior do Trabalho. A articulação envolve a retomada de processos que tratam do tema e que estão pendentes de julgamento há anos no Supremo.
Paralelamente, o CNJ tem adotado medidas administrativas relacionadas à matéria. Em 2024, o Conselho aprovou resolução para restringir o pagamento administrativo de benefícios retroativos, condicionando a liberação à existência de decisão judicial definitiva. Posteriormente, no entanto, houve autorização para pagamentos retroativos de grande volume, relacionados à chamada licença compensatória, o que manteve o tema em debate no âmbito do Judiciário.
A expectativa no Supremo é de que a retomada dos julgamentos e a eventual edição de novas normas pelo CNJ resultem na definição de parâmetros mais claros sobre o pagamento de verbas adicionais a magistrados, com impacto direto sobre a política remuneratória da magistratura em todo o país.
