Sem decisão judicial, filho maior continua a ter direito a pensão, reitera STJ ao manter prisão civil

Sem decisão judicial, filho maior continua a ter direito a pensão, reitera STJ ao manter prisão civil

A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça reafirmou que a maioridade do alimentando não extingue, por si só, o dever de prestar alimentos, sendo indispensável decisão judicial com contraditório e ampla defesa para eventual exoneração, nos termos da Súmula 358 do STJ.

O colegiado, por unanimidade, não conheceu habeas corpus impetrado contra decreto de prisão civil de um devedor que alegava incapacidade financeira e desnecessidade da pensão por parte do filho maior.

O caso teve origem em execução de alimentos proposta na 2ª Vara da Comarca de Mairinque (SP), na qual o executado realizou pagamentos parciais apenas após anteriores decretos de prisão. O Tribunal de Justiça paulista manteve a ordem de prisão, ressaltando que o credor, embora maior de idade, está cursando o ensino superior, o que mantém presumida a necessidade da verba alimentar.

Ao analisar o recurso, o relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, destacou que o habeas corpus não pode ser utilizado como sucedâneo recursal, salvo diante de flagrante ilegalidade — o que não se configurou no caso. Segundo ele, o remédio constitucional é inadequado para discutir capacidade financeira, revisar cálculos ou aferir a necessidade do alimentando, matérias que exigem dilação probatória e devem ser tratadas em ação própria, como a revisional de alimentos.

O ministro também invocou a Súmula 309 do STJ, que autoriza a prisão civil pelo inadimplemento das três últimas parcelas anteriores ao ajuizamento da execução e das que vencerem no curso do processo, sendo irrelevantes os pagamentos parciais. O voto concluiu que não há provas de que o alimentando deixou de necessitar da pensão, razão pela qual a prisão se manteve legítima.

O julgamento foi unânime, com votos dos ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira.

HC 1010732 / SP

Leia mais

É dever, não é calúnia: Justiça tranca ação penal contra síndica que atuou para proteger adolescente

O Tribunal de Justiça do Amazonas, por meio da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais, concedeu habeas corpus e determinou o trancamento de ação...

Justiça suspende repasse de consignados de servidores e segurados da Amazonprev ao Banco Master

Decisão proferida pela 2.ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manaus determinou a suspensão dos repasses relativos a empréstimos consignados contratados por servidores...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Rede social deve reativar conta de influencer que teve perfil suspenso sem justificativa

O 3º Juizado Especial Cível da Comarca de Natal determinou que uma rede social reative a conta de um...

Justiça declara ineficaz cláusula sobre saúde mental em cct por vício formal

A 7ª Turma do TRT da 2ª Região reverteu decisão de 1º grau por unanimidade e declarou a ineficácia...

Foragido nos EUA, Ramagem é ouvido pelo STF por videoconferência

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que está foragido nos Estados Unidos, prestou depoimento, por videoconferência, ao Supremo Tribunal Federal...

Justiça condena banco digital por negativação indevida de consumidora; indenização é de R$ 8 mil

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte condenou um banco digital ao pagamento de indenização por danos...