Quem paga pensão de alimentos pode fazê-lo fornecendo o que a criança precisa

Quem paga pensão de alimentos pode fazê-lo fornecendo o que a criança precisa

A Constituição Federal ao determinar que os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, impõe a interpretação de que o dever é de sustento e não de alimentos, com o fim de preservação da pessoa e de sua dignidade existencial. A sentença que homologa acordo de alimentos é um título executivo, ainda que a prestação desses alimentos não seja especificamente discriminada em valores. Assim decidiu o Tribunal do Amazonas em acórdão relatado pelo Desembargador Cláudio César Ramalheira Roessing. 

A matéria foi submetida à análise pelo Colegiado Cível do TJAM, face a recurso do Ministério Público que se irresignou contra a homologação que decidiu pelo acordo de alimentos na forma in natura, sem especificar os valores, o que, na linha de raciocínio do recurso, não permitiria a execução do título judicial, em caso de inadimplência, por falta de liquidez.

A hipótese no acordo, homologado judicialmente, permitiu que em razão do maior interesse da criança, os pais pudessem livre dispor, como restou permitido na ação de guarda, que o menor fosse assistido com roupa, escola uniforme, entre outros, fossem pagos diretamente pelo responsável, no caso, o pai alimentante. 

O julgado concluiu que o acordo firmado entre o genitor e mãe da criança, na forma in natura, esteve em harmonia com os direitos da menor, atendendo as necessidades da infante. A uma porque os pais se evidenciavam como pessoas capazes. A duas, que a liquidez não se revela pela determinação, mas a mera determinabilidade de fixação dos números devidos, não sendo necessário que o título executivo indicasse com precisão esses detalhes, mas que contenham elementos para, havendo necessidade, de possibilitar tal fixação.

A fixação de alimentos deve levar em consideração as necessidades de quem os reclama e as possibilidades econômico financeiras daquele que está obrigado a prestá-los. A modalidade in natura de prestar os alimentos não retira a natureza do título executivo do acordo, não retirando, por consequência, a exigibilidade desse título, critérios que podem ser obtidos dentro dos parâmetros do convencionado e indicados na petição inicial de quem deva executar esse título, cujos valores podem ser embargados pela parte contrária. 

Processo nº 0002207-12.2019.8.04.4401

Leia o acórdão:

DIREITO DE FAMÍLIA. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA C/C ALIMENTOS. ACORDO HOMOLOGADO ENTRE OS GENITORES DA INFANTE. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PISO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.. DECISÃO: “ ‘DIREITO DE FAMÍLIA. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE GUARDA C/C ALIMENTOS. ACORDO HOMOLOGADO ENTRE OS GENITORES DA INFANTE. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE PISO. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n.º 0002207-12.2019.8.04.4401, de Manaus (AM), em que são partes as acima indicadas, ACORDAM, os Excelentíssimos Senhores Desembargadores que compõem a Primeira Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para negar-lhe provimento.’”.

Leia mais

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no cálculo do Imposto de Renda...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido julgado definitivamente em outra ação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Governo avalia combate a supersalários em pacote fiscal para 2027

Medidas em estudo incluem revisão de penduricalhos e mudanças para assegurar o cumprimento do centro da meta fiscal O Ministério...

Lei que reduz penas do 8 de Janeiro aguarda julgamento há quase seis meses

Alexandre de Moraes relata ações contra a norma no STF; aplicação dos benefícios em execuções penais foi suspensa em...

Justiça condena homem a mais de 21 anos de prisão por homicídio motivado por som alto

A Justiça do Tocantins condenou um homem a 21 anos e nove meses de prisão pelo assassinato a tiros...

Justiça condena homem que agrediu e ameaçou a irmã para cobrar dívida

A Justiça do Tocantins condenou um homem por agredir e ameaçar a própria irmã após cobrar uma dívida e...