PF apura possível campanha digital coordenada contra o Banco Central no caso Banco Master

PF apura possível campanha digital coordenada contra o Banco Central no caso Banco Master

A Polícia Federal instaurou procedimento preliminar para apurar indícios de uma campanha digital coordenada direcionada contra o Banco Central do Brasil e contra agentes públicos envolvidos na análise do caso Banco Master. As informações analisadas apontam para a atuação simultânea de ao menos 46 perfis em redes sociais, com publicações críticas à atuação do órgão regulador e de seus dirigentes.

Segundo os elementos iniciais reunidos, os conteúdos passaram a ser divulgados de forma intensificada no contexto da controvérsia envolvendo a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A operação foi submetida à avaliação técnica do Banco Central e acabou desencadeando disputas jurídicas no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal de Contas da União.

Alvos e contexto da apuração

Entre os principais alvos das publicações estão ex-dirigentes e dirigentes do Banco Central, especialmente o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, Renato Gomes, cuja área técnica participou da recomendação contrária à operação envolvendo o Master. Também foram citados o presidente do BC, Gabriel Galípolo, além de outros agentes do sistema financeiro e representantes do setor bancário.

O material divulgado chamou a atenção dos investigadores pelo perfil dos canais utilizados. Parte significativa das contas envolvidas atua tradicionalmente com conteúdos de humor, entretenimento ou celebridades, sem histórico de abordagem de temas regulatórios ou financeiros. Ainda assim, passaram a veicular críticas técnicas à atuação do Banco Central, com linguagem e argumentos semelhantes, o que reforçou a suspeita de coordenação.

Recrutamento de influenciadores e “Projeto DV”

De acordo com informações sob apuração, influenciadores teriam sido contatados em dezembro para integrar uma ação denominada “Projeto DV”, referência que coincide com as iniciais de Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master. As abordagens teriam incluído a oferta de valores elevados para a publicação de conteúdos e a apresentação de um contrato de confidencialidade prevendo multa de R$ 800 mil em caso de descumprimento.

O contrato classificaria como sigilosas as estratégias de comunicação, as informações jurídicas e financeiras e a identidade dos participantes da campanha. Parte dos influenciadores procurados afirmou ter recusado a proposta.

Agências, versões e próximos passos

Algumas agências de marketing digital associadas à gestão de perfis citados negaram participação em campanhas remuneradas relacionadas ao Banco Master, sustentando que eventuais publicações teriam caráter orgânico ou que propostas de contratação teriam sido recusadas. Outras empresas não se manifestaram.

A Polícia Federal informou que, caso sejam confirmados elementos de materialidade e autoria, o procedimento preliminar poderá evoluir para a instauração de inquérito policial. No âmbito das investigações relacionadas à tentativa de venda do banco, Daniel Vorcaro foi intimado a prestar depoimento, com a possibilidade de comparecimento presencial ou por videoconferência.

Até o momento, o Banco Master e seu CEO não se manifestaram publicamente sobre a suposta coordenação da campanha digital. A apuração segue em fase inicial, com análise de documentos, contratos e do padrão de publicações, sem conclusão definitiva quanto à responsabilidade dos envolvidos.

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