Motoboy pede indenização contra plataforma em Manaus e justiça diz que onde há dever não há direito

Motoboy pede indenização contra plataforma em Manaus e justiça diz que onde há dever não há direito

Um motorista da 99 Tecnologia (99 Food Delivery) pediu na justiça que a Plataforma de serviços de transportes fosse obrigada a permitir seu acesso ao sistema, mas a sua pretensão foi negada pela Juíza Luciana Nasser, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A magistrada concluiu que o bloqueio contra o autor formalizado pela Plataforma, ré na ação, foi legítimo e regular, inexistindo ato ilícito que ensejasse a responsabilização civil pleiteada por Thales Costa.

Na ação, o autor informou que exerceu a atividade de motorista junto à empresa que, de forma inesperada e sem qualquer aviso prévio, bloqueou sua conta, com o aviso revelado em frase curta: “Seu perfil foi suspenso por conduta imprópria”. O Autor reclamou que a ré não deu explicação em que consistiu a conduta imprópria aludida, sem saber que falta tinha cometido. 

No caso, a ação pediu a aplicação do Código de Defesa do Consumidor, alegando que deveria ter sido previamente informado do ato, como consta no artigo 6º do CDC, havendo o ilícito pela falta de informação clara, e formal que é requestada como previamente descrita na lei e faltando com o dever de lealdade,  além de que constituiria na parte mais frágil da relação efetuada. Assim, pediu a reativação da conta e a condenação em danos morais. 

A magistrada concluiu que se cuidava de matéria estritamente de direito, afastando a necessidade de produção de provas. No mérito, a decisão acolheu as explicações da Ré. A empresa explicou que a 99 Food Delivery Tecnologia Ltda é uma plataforma com inovação e inteligência em Restaurantes que permite, por meio de acesso aos usuários do aplicativo (Plataforma 99) a conexão de restaurantes, entregadores e clientes. 

Explicou-se, ainda, que a Plataforma não produz ou comercializa alimentos, não presta serviço de transportes, não possui veículos para transporte e, menos ainda, possui vinculo trabalhista com os entregadores e nem com os integrantes dos restaurantes, enquadrando-se como plataforma tecnológica de economia compartilhada com avanço em inovação.

Doutra banda, o bloqueio foi de forma temporária, em razão de que o autor, usuário do sistema, cancelou uma entrega, após tê-la aceito, ferindo o compromisso assumido. A sentença considerou que a plataforma agiu no exercício regular do direito, havendo uma interrupção temporária da prestação de serviços, não se autorizando a concluir pela responsabilidade civil indicada na inicial. Assim, se determinou a extinção do processo.

Processo nº 0670412-47.2022.8.04.0001

Leia o acórdão:

Processo 0670412-47.2022.8.04.0001 – Procedimento do Juizado Especial Cível – Defeito, nulidade ou anulação – AUTOR: Thales Gomes da Costa – REQUERIDO: 99 TECNOLOGIA LTDA – Diante do exposto, acolho parcialmente a preliminar de perda superveniente do objeto, para JULGAR EXTINTO O FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, com fulcro no art.
485, VI, do CPC, quanto ao pedido referente à obrigação de fazer para a ré desbloquear a conta do autor na sua plataforma. No que se refere aos pedidos de indenização a título de danos morais e danos materiais, além de lucros cessantes, por sua vez, JULGO-OS IMPROCEDENTES, no mérito, com arrimo no art. 487, I, do CPC. Sem custas pretéritas. Sem honorários. Preparo de lei (Lei AM 2.429/96 c/c Prov. 256/2015-CGJ/AM). P.R.I. Transitada em julgado, dê-se baixa e arquivem-se os autos

Leia mais

Licitação de instalações portuárias na Amazônia em disputa: DNIT recorre de decisão que reabilitou empresas

DNIT recorre contra decisão que anulou inabilitação de consórcio em licitação portuária na Amazônia. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) interpôs apelação contra...

Amazonas Energia firma acordo de R$ 150 mil com vítima de choque elétrico que teve braço amputado

Audiência de instrução realizada na 2.ª Vara da Comarca de Humaitá resultou na homologação de acordo em processo de indenização pela Amazonas Distribuidora de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Aliado de Daniel Vorcaro, Sicário morre na prisão em BH

O investigado Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal...

Justiça mantém prisão de Vorcaro e cunhado em audiência de custódia

A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão do banqueiro e empresário Daniel Vorcaro, dono...

Guia orienta sobre como abordar violência de gênero nas redes sociais

Falar sobre violência de gênero exige cuidado sobre o impacto que palavras, perguntas e imagens podem ter. Com o...

Comparsa de Vorcaro, Sicário é levado para atendimento em hospital

A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira (4) que Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, preso na terceira fase...