Em Goiás, mulher que encontrou corpo estranho em molho de tomate será indenizada

Em Goiás, mulher que encontrou corpo estranho em molho de tomate será indenizada

Goiás  – O juiz Carlos Gustavo Fernandes de Morais, do Juizado Especial Cível da comarca de Luziânia-GO, condenou a empresa Fugini Alimentos Ltda a indenizar uma consumidora que encontrou corpo estranho num molho de tomate. O magistrado entendeu que a empresa requerida forneceu um produto que trouxe risco à segurança da autora da ação ao se deparar com um corpo estranho no produto, o qual considerou” humilhante, indigno e repugnante, sendo que não há dúvidas de ter causado à requerente abalos passíveis de ensejar danos”.

Conforme consta nos autos, uma mulher foi fazer almoço e, durante o preparo do macarrão, utilizou parte do molho de tomate, guardando o restante na geladeira. No período noturno, ao usar o restante do conteúdo da embalagem foi surpreendida com um corpo estranho que saiu junto ao molho de tomate. Ela, diante do fato, foi tomada por uma série de emoções negativas como repugnância e medo, pois não só ela havia se alimentado daquele molho, mas também seus filhos e uma senhora de 58 anos.

O magistrado, ao analisar o pedido da consumidora, disse que o fabricante do produto possui o dever de proteção e manutenção da qualidade do mesmo, surgindo o dever de indenizar se houver vínculo entre o defeito existente no produto colocado no mercado à disposição do consumidor e o dano sofrido pela vítima em razão dele. “Desta forma, considera-se defeituoso um produto quando não corresponde à expectativa do consumidor que o adquiriu, ou seja, quando algum vício do produto compromete o seu uso”, frisou.

De acordo com o juiz, restou comprovada a verossimilhança das alegações pela foto juntada. Acrescentou que o entendimento do STJ é de que na aquisição de produto de gênero alimentício contendo em seu interior corpo estranho, expondo o consumidor ao risco concreto de lesão à sua saúde e segurança, ainda que não ocorra a ingestão completa de seu conteúdo, dá direito à compensação por dano moral, dada a ofensa ao direito fundamental à alimentação adequada, corolário do princípio da dignidade do ser humano.

“No caso, uma vez que se encontra presente o dever de indenizar, haja vista que a empresa requerida forneceu um produto que trouxe risco à segurança da consumidora, e o fato de se deparar com um corpo estranho em um dado produto é humilhante, indigno e repugnante, sendo que não há dúvidas de ter causado abalos passíveis de ensejar indenização por danos morais. Diante dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, tenho que a indenização por danos morais deve ser fixada no valor de R$ 5 mil”, explicou. Nº 5064125-19 (Texto: Acaray Martins – Centro de Comunicação Social do TJGO)

Fonte: Asscim TJGO

Leia mais

STJ: fundada suspeita de tráfico não decorre apenas da fuga após perseguição policial

A fuga de um suspeito ao perceber a aproximação da polícia, por si só, não basta para justificar uma busca pessoal nem para caracterizar...

Sem vistoria interna, avaliação de imóvel por comparação é legítima para retomada por atraso

Sem acesso ao imóvel, avaliação por comparação é válida e consolidação é mantida pela Justiça em processos que discutem a retomada do bem por...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Dono de clínica de reabilitação é condenado por ministrar tarja-preta sem receita

Um homem responsável por um centro de apoio a dependentes químicos foi condenado pela 2ª Vara Criminal da comarca...

Justiça invalida confissão de dívida obtida por coação e condena empresa de cobrança

A 1ª Vara Cível da comarca de Penha declarou nula a confissão de dívida assinada por um consumidor sob...

Empresa é condenada por acionar trabalhadora durante licença médica

Os julgadores da Quarta Turma do TRT-MG mantiveram a condenação de uma empresa de apoio à educação ao pagamento...

Justiça mantém indenização por agressão a cliente dentro de supermercado

A 1ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação da Atacadão...