Cabe a Administração pagar o direito à gratificação de curso a Servidor do Amazonas

Cabe a Administração pagar o direito à gratificação de curso a Servidor do Amazonas

O Desembargador Cláudio Roessing, do Tribunal de Justiça do Amazonas, fixou em voto condutor de julgado, seguido à unanimidade pelos demais Magistrados do Tribunal Pleno, que não pode prosperar a argumentação do Estado quanto à justificativa de que estaria concedendo reajustes a servidores com a concessão de pagamento de gratificações, razão de ter negado essa direito a Luana Ferreira, servidora da Saúde, referente ao não pagamento de adicional de especialização. Essa justificativa, rechaçada pela Corte, é derrubada ante o fato de que as promoções se destinam a servidores que ingressaram no serviço público com a anterior previsão orçamentária, além de que se cuida de direito subjetivo, especialmente por expressa previsão legal. 

Diversamente do alegado pelo Estado não se cuida de novas leis que concedem reajustes a servidores, mas sim de reconhecer promoções já previstas em lei e que, portanto, já teve sua previsão orçamentária para poder entrar em vigor. No Amazonas, a Lei Estadual nº 3.469/2009 corresponde, para os servidores da saúde, a lei que trata do plano de cargos e salários, onde se prevê a gratificação de curso, que, na modalidade da impetrante, em Mandado de Segurança, face à especialidade, garantiu o adicional de 25% sobre o vencimento base do cargo. 

Lado outro, também contra o argumento do Estado se lança o imperativo afastamento de qualquer hipótese de supressão de direitos subjetivos dos servidores públicos, o que permite afastar, também, o raciocínio de que a questão findaria por ultrapassar os limites da lie de responsabilidade fiscal. No que tange ás despesas com pessoal de ente público, não podem servir de justificativa para o não cumprimento de direitos subjetivos do servidor, o pretexto de colisão com a lei de responsabilidade fiscal. 

Rejeitou-se, neste contexto, a alegação de que o Estado estivesse amparado pela Lei de 
Responsabilidade Fiscal ou limite de dotação orçamentária, sendo ilegal o ato de não concessão de progressão funcional de servidor público, quando atendidos todos os requisitos legais. A segurança foi concedida em ação originária perante o Tribunal de Justiça. 

A concessão de aumento de remuneração com arrimo em determinação legal é exceção às vedações estabelecidas pelo limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, destacou o julgado, com a firmação de direito líquido e certo.

Processo nº 400350-63.2022.8.04.0000

Leia o acórdão:

Mandado de Segurança Cível nº 4000350-63.2022.8.04.0000. Relator : Exmo. Sr. Des. Cláudio César Ramalheira Roessing. Procurador de Justiça: Exmo. Sr. Alberto Rodrigues do Nascimento Júnior. MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO ADMINISTRATIVO. GRATIFICAÇÃO DE CURSO PREVISTA EM LEI. ALEGAÇÃO DE LIMITAÇÃO ORÇAMENTÁRIA. NÃO CABIMENTO. ENTENDIMENTO DO STJ. A LIMITAÇÃO ORÇAMENTÁRIA NÃO PODE SER ÓBICE AO DIREITO SUBJETIVO DO SERVIDOR PREVISTO EM LEI. SEGURANÇA CONCEDIDA. ACÓRDÃO: Vistos, relatados e discutidos estes autos de Mandado de Segurança Cível nº 4000350-63.2022.8.04.0000, de Manaus/AM, em que são partes as acima indicadas, ACORDAM os Excelentíssimos Senhores Desembargadores que compõem o Tribunal Pleno do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, por unanimidade de votos e em consonância com o parecer ministerial, em conceder a segurança pleiteada. DECISÃO: “Por unanimidade de votos e em consonância com o parecer ministerial, o Egrégio Tribunal Pleno decidiu conceder a segurança pleiteada, nos termos do voto do Relator

 

Leia mais

MPF aponta falhas no atendimento oncológico no Amazonas e cobra medidas

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Estado do Amazonas e à Prefeitura de Manaus a adoção de medidas imediatas para reestruturar as políticas...

Morte materna leva MPF a recomendar medidas estruturais na saúde reprodutiva no Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Estado do Amazonas e à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) a adoção de providências...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

MPF aponta falhas no atendimento oncológico no Amazonas e cobra medidas

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Estado do Amazonas e à Prefeitura de Manaus a adoção de medidas...

Morte materna leva MPF a recomendar medidas estruturais na saúde reprodutiva no Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Estado do Amazonas e à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas...

STF: diligências sigilosas em andamento permitem restringir acesso da defesa aos autos

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, ao examinar reclamação constitucional proposta contra ato da Central de Inquéritos...

Sem ilegalidade comprovada, não cabe revisão de nota em prova discursiva de concurso

Ausente ilegalidade, não cabe ao Judiciário revisar correção de prova em concurso público. O controle judicial sobre concursos públicos não...