Nova união estável implica na extinção de pensão entre ex-cônjuges, decide Justiça

Nova união estável implica na extinção de pensão entre ex-cônjuges, decide Justiça

Pela regra do Código Civil, a pensão alimentícia entre ex-cônjuges não é definitiva. O artigo 1.708 estabelece que o dever de pagar alimentos se extingue quando quem recebe passa a viver em nova união estável ou contrai novo casamento, porque a lei presume que a formação de uma nova entidade familiar afasta a necessidade de manutenção econômica pelo ex-companheiro.

Trata-se de mecanismo que vincula a pensão às circunstâncias concretas que lhe deram origem, permitindo sua revisão sempre que houver mudança relevante na situação pessoal do alimentado.

A pensão alimentícia entre ex-cônjuges possui caráter excepcional e transitório, devendo subsistir apenas enquanto presentes as circunstâncias que justificaram sua fixação.

Com esse entendimento, a Justiça de Goiás suspendeu, em decisão liminar, o pagamento de pensão a uma mulher após reconhecer que ela constituiu nova união estável, situação que afasta a necessidade jurídica do benefício, nos termos do artigo 1.708 do Código Civil.

A decisão foi proferida pelo juiz Vôlnei Silva Fraissat, da 3ª Vara de Família de Goiânia, no bojo de ação ajuizada pelo ex-marido, que buscava a revisão da obrigação alimentar assumida por ocasião do divórcio consensual. Pelo acordo, ele pagava sete salários mínimos mensais à ex-esposa, destinados a auxiliá-la na reorganização da vida após o término do casamento, além de igual valor a título de pensão para a filha do casal.

Na nova demanda, o autor sustentou que a ex-companheira passou a viver em união estável com outro homem, com quem, inclusive, constituiu uma empresa, o que indicaria autonomia financeira e formação de nova entidade familiar. A pensão destinada à filha não foi objeto de questionamento.

Ao analisar o pedido, o magistrado considerou suficientes os elementos apresentados — como fotografias, contrato social da empresa e outros indícios de convivência pública e contínua — para reconhecer a existência de nova união estável. Diante disso, aplicou diretamente o artigo 1.708 do Código Civil, que prevê a cessação do dever alimentar quando o credor passa a viver em união estável ou contrai novo casamento.

O juiz destacou que a suspensão da pensão foi concedida em caráter liminar, possui natureza reversível e não causa prejuízo irreparável à ex-esposa. Ressaltou, ainda, que a pensão alimentícia entre ex-cônjuges não constitui regra geral no direito de família contemporâneo, sendo admitida apenas em hipóteses específicas, vinculadas às condições existentes no momento da fixação.

“Hoje, a pensão alimentícia para ex-cônjuge é exceção, não regra. Ela se justifica apenas em situações muito específicas e sempre vinculada às condições existentes no momento do acordo ou da sentença. Sempre que essas condições se alteram, a obrigação pode e deve ser revista”, consignou o magistrado.

O processo tramita sob o número 6004543-85.2025.8.09.0051.

Leia mais

Ainda que a punição por improbidade dolosa esteja prescrita, o dever de reparar o dano permanece

Sentença da Justiça Federal no Amazonas manteve ressarcimento de R$ 3,5 milhões mesmo após reconhecer prescrição das sanções contra ex-gestor; decisão está sob recurso...

Banco não pode alegar descuido de cliente para negar devolução quando falha na prevenção de golpe

Juíza Irlena Leal Benchimol reconheceu falha na segurança do Bradesco, mas considerou que a correntista também contribuiu para o golpe. Uma correntista enganada por um...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

AGU pede ao STF solução para falta de R$ 533 milhões destinados a pagamentos de Juízes

Judiciário federal e Ministério Público da União informaram insuficiência orçamentária para cumprir decisões sobre vantagens remuneratórias; manifestação foi apresentada...

Comissão aprova atendimento virtual 24 horas a mulheres vítimas de violência

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1292/26, que...

Comissão aprova projeto que prevê apoio a profissionais da educação vítimas de violência

A Comissão de Cultura aprovou o Projeto de Lei 7114/25, que cria o Programa Nacional de Apoio Jurídico, Psicológico...

Comissão aprova dispensa de custas processuais para medidas protetivas da Lei Maria da Penha

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher aprovou o Projeto de Lei 2863/26 prevê a isenção de custas...