Carf admite dedução de furtos de energia no IRPJ em julgamento bilionário da Light

Carf admite dedução de furtos de energia no IRPJ em julgamento bilionário da Light

A 1ª Turma da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) firmou, por sete votos a um, entendimento inédito de que as chamadas perdas não técnicas – a exemplo dos furtos de energia por ligações clandestinas – podem ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

A decisão, tomada nesta quarta-feira (10/9), ocorreu em dois processos da concessionária Light, em recuperação judicial, que discutem autuações fiscais somadas em cerca de R$ 2 bilhões.

Questão em debate

O núcleo da controvérsia estava em definir se as perdas não técnicas configuram despesas operacionais intrínsecas à atividade das distribuidoras de energia. Para a Fazenda Nacional, a dedução só seria cabível caso cada furto fosse comprovado individualmente por boletim de ocorrência, conforme o artigo 47, §3º, da Lei nº 4.506/1964.

A divergência foi aberta pela conselheira Edeli Pereira Bessa, representante da União, que considerou haver falha contábil da empresa ao não separar furtos de outras perdas. O posicionamento, contudo, não prevaleceu.

Fundamentação dos votos

O relator, conselheiro Jandir Dalle Lucca, sustentou que, seja como custos operacionais, seja como despesas necessárias, as perdas decorrentes de “gatos” devem ser tratadas como dedutíveis, pois são inevitáveis no contexto brasileiro de distribuição elétrica.

As turmas ordinárias do Carf já haviam oscilado em decisões anteriores, inclusive em outros processos da Light. Em dois deles, a União saiu vencedora; em outro, ainda não houve julgamento definitivo. O impacto total dos cinco processos da concessionária ultrapassa R$ 10 bilhões, em valores históricos.
 
Dados da Aneel indicam que, em 2021, as perdas totais de energia – técnicas e não técnicas – corresponderam a aproximadamente 14% de todo o mercado consumidor brasileiro, volume equivalente ao consumo anual das regiões Norte e Centro-Oeste somadas em 2018.

Leia mais

Academia responde por furto em estacionamento mesmo quando criminosos usam dispositivo eletrônico

  A disponibilização de estacionamento aos clientes gera para a empresa o dever de guarda e vigilância dos veículos e pertences ali deixados. Com esse entendimento,...

Pagamentos sem comprovação de serviço afastam tese de mera falha formal em ação de improbidade

Mesmo após as mudanças promovidas pela Lei nº 14.230/2021 na Lei de Improbidade Administrativa, a Justiça do Amazonas entendeu que pagamentos públicos realizados sem...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça determina exclusão de perfil falso usado em estelionatos contra clientes de advogada

O juiz da 16ª Vara Cível de Brasília concedeuparcialmente liminar e determinou que a empresa Meta suspenda, em até 24h, ...

Plataforma de intermediação não deve indenizar usuário por envio de criptomoedas a carteira falsa, decide STJ

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, que as plataformas de intermediação de criptomoedas...

Influenciadora Deolane Bezerra é presa em ação da Polícia Civil de SP

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21), em Barueri, região metropolitana de...

STJ abre investigação por uso de IA para fraudar processos

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou na quarta-feira (20) a abertura de uma investigação para apurar o uso...