Somente depoimento policial não vale para condenação, diz Justiça do Amazonas

Somente depoimento policial não vale para condenação, diz Justiça do Amazonas

No que pese a credibilidade de depoimento de policiais quando atuantes como testemunhas em ações penais movidas pelo Ministério Público, essa prova há de ser analisada à luz do conjunto probatório que foi produzido durante a instrução processual. A simples condição de integrante da classe policial não traz a garantia da infalibilidade nas respectivas ações, especialmente quando essa atuação, decorrente da função policial, seja exercida, quase sempre, em situação de intenso estresse. A assertiva é do Desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos, que, nestas circunstâncias, não acolheu recurso do Ministério Público que pediu a reforma de sentença absolutória com base em falta de provas – utilização do princípio de que a dúvida vige a favor do réu. Assim foi absolvido Fábio Palma do crime de tráfico de drogas e porte irregular de arma de fogo. 

Em primeiro grau, a sentença da juíza Rosália Guimarães Sarmento, julgou improcedente o pedido de condenação contido na denúncia, por concluir que os militares foram contradiços em seus depoimentos, em menos de dois meses, entre a data da audiência de instrução e julgamento e a autuação do custodiado em flagrante delito, com divergências que fragilizavam o sistema probatório, proclamando a absolvição por falta de provas. 

Não sendo possível definir com a devida certeza exigida por um decreto condenatório, melhor absolver um culpado do que condenar um inocente, proclamou a sentença. Inconformada, a Promotora de Justiça Yara Rebeca Marinho de Paulo apelou ao Tribunal de Justiça, mas a sentença foi mantida. 

O acórdão concluiu, na mesma linha de fundamento jurídico da sentença recorrida de que foram contraditórios os depoimentos dos agentes policiais. Ante as considerações expendidas, mormente as dúvidas quanto aos depoimentos prestados, ante as contradições latentes, se manteve o lançado na sentença, em sua origem, concluindo não haver prova suficiente para a condenação. 

Processo nº 0657057-04.2021.8.04.0001

Leia o acórdão:

Processo: 0657057-04.2021.8.04.0001 – Apelação Criminal, 2ª V.E.C.U.T.E. Apelante : Ministério Público do Estado do Amazonas. Promotor : Yara Rebeca Albuquerque Marinho de Paula. Apelado : Fábio Palma. residente: José Hamilton Saraiva dos Santos. Relator: José Hamilton Saraiva dos Santos. Revisor: Vânia Maria Marques Marinho PENAL E PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. IRRESIGNAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. ART. 33, CAPUT, DA LEI N.º 11.343/2006. POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO. ART. 16, § 1.º, INCISO IV, DA LEI N.º 10.826/2003. CONDENAÇÃO DO APELADO. IMPOSSIBILIDADE. DEPOIMENTOS CONTRADITÓRIOS DOS AGENTES POLICIAIS. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. IN DUBIO PRO REO. APLICABILIDADE. PRECEDENTES DO COLENDO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, BEM, ASSIM, DESTE EGRÉGIO SODALÍCIO. ABSOLVIÇÃO MANTIDA. APELAÇÃO CRIMINAL CONHECIDA E DESPROVIDA

Leia mais

MPF pede suspensão de projeto de carbono em Carauari; empresa contesta acusações

Procuradoria pede suspensão do Mejuruá e indenização de R$ 6 milhões por supostas violações; BR Arbo contesta acusações e aponta prejuízos de eventual paralisação. Um...

Justiça manda concessionária indenizar por acusação de desvio de energia sem prova suficiente

Juiz Francisco Carlos Gonçalves de Queiroz cancelou débito de R$ 37,4 mil e fixou indenização de R$ 3 mil a consumidora em Manaus. A...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Projeto deixa explícito que imprudência do segurado não impede pagamento de seguro de vida

O Projeto de Lei 3353/26 deixa expresso na legislação que a seguradora não poderá negar o pagamento de indenização...

Comissão aprova inclusão expressa de casais homoafetivos na Lei Maria da Penha

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 891/25,...

Golpe do falso advogado termina em ação judicial após transferência de valores via Pix

A Justiça de Santa Catarina, por meio do 3º Juizado Especial Cível de Joinville julgou uma ação de indenização decorrente...

Operadora de saúde é condenada a pagar R$ 5 mil por cancelar consultas e exames

A Justiça do Rio Grande do Norte condenou uma operadora de saúde pelo cancelamento indevido de consultas e exames...