O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados a Nova York para comparecer, nesta segunda-feira (5), a um juiz de custódia no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan. A apresentação ocorre dois dias após a captura do casal em Caracas, em uma operação conduzida pelos Estados Unidos.
A audiência de custódia é a primeira etapa formal do processo criminal no sistema americano. Nela, o magistrado verifica a legalidade da prisão, comunica as acusações, assegura direitos básicos aos réus e decide, de forma preliminar, sobre a manutenção da custódia ou a eventual imposição de medidas cautelares. Não se trata de julgamento do mérito.
Segundo autoridades americanas, Maduro é acusado de narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, além de posse e conspiração para posse de armas de uso restrito. A nova denúncia sustenta que ele teria chefiado, por anos, um esquema transnacional de tráfico de drogas, com participação de cartéis mexicanos e grupos armados da América Latina. Cilia Flores também figura entre os réus.
Nesta fase inicial, é esperado que o juiz registre a posição dos acusados — que, conforme a prática, podem declarar-se inocentes — e avalie pedidos da acusação sobre prisão preventiva. A imprensa americana aponta que, diante da gravidade das imputações e do risco de fuga, o Ministério Público deve pleitear a manutenção da custódia até o julgamento, cuja data ainda não foi definida e pode levar meses.
O caso tem repercussão internacional. A captura de Maduro representa a intervenção mais direta dos EUA contra um líder latino-americano em décadas e reacende o debate sobre jurisdição, soberania e precedentes históricos — como o processo que levou à condenação do ex-ditador panamenho Manuel Noriega nos anos 1990.
Após a audiência de custódia, o processo seguirá para as fases de apresentação formal da acusação, produção de provas e definição de um calendário processual. O desfecho judicial, porém, tende a ser longo e permanece em aberto.
