A perícia médica realizada por profissionais da Polícia Federal concluiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta problemas de saúde que exigem acompanhamento contínuo, mas que podem ser tratados no local onde está custodiado, no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
O laudo foi elaborado a pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, e não avaliou a possibilidade de prisão domiciliar, por ausência de determinação nesse sentido. Os peritos descartaram a necessidade de transferência do ex-presidente para hospital penitenciário.
Segundo o documento, Bolsonaro apresenta doenças crônicas sob controle, mas possui risco de queda e necessidade de monitoramento regular, incluindo controle diário de pressão arterial, acompanhamento médico periódico e acesso imediato a atendimento de saúde. O laudo também registra a possibilidade de agravamento do quadro caso as medidas recomendadas não sejam observadas.
A defesa informou que a avaliação médica ainda não está encerrada, pois aguarda a manifestação de um médico assistente indicado no processo. Em nota, os advogados afirmaram que o laudo não conclui de forma expressa pela viabilidade da manutenção da custódia na Papudinha, limitando-se a afastar a necessidade de internação hospitalar imediata.
O ministro Alexandre de Moraes determinou a abertura de prazo para manifestação da defesa e da Procuradoria-Geral da República sobre o conteúdo da perícia. A decisão sobre eventual alteração do regime de custódia caberá ao relator, após a análise das manifestações e dos elementos técnicos constantes nos autos.
Bolsonaro está preso desde novembro, após o descumprimento de medidas cautelares impostas pelo Supremo, incluindo tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Em janeiro, após sofrer uma queda quando ainda estava custodiado na superintendência da Polícia Federal em Brasília, foi transferido para uma cela mais ampla na Papudinha.
