Justiça do Amazonas não admite burla à vedação da venda casada e condena Bradesco

Justiça do Amazonas não admite burla à vedação da venda casada e condena Bradesco

Ao contratar um empréstimo consignado com o Bradesco a consumidora Cláudia Farias teve, como condição para liberação dos valores, a aquisição de um seguro oferecido pelo Banco, o que a levou a ingressar com ação de indenização por danos materiais e morais contra a instituição financeira. A Desembargadora Maria das Graças Pessoa Figueiredo considerou, ao apreciar recurso de apelação sobre a matéria, que se configurou venda casada com a cobrança indevida de seguro como condição para aquisição de empréstimo bancário. 

O julgado relata que a Corte de Justiça do Amazonas possui o entendimento no sentido de não permitir a inserção de produtos como condição para a pactuação de empréstimos bancários, pois essa circunstância, quando imposta ao consumidor, revela flagrante prática abusiva que é proibida conforme previsão legal descrita no Código de Defesa do Consumidor. 

No caso concreto, a Relatora firmou que a exigência se constitui em nítida má fé da instituição financeira e que o caso revelou inexistir qualquer engano justificável por parte do Bradesco e concluiu que restou configurado o dano moral, que, suportado pelo consumidor, afere indenização. 

A violação de direitos básicos do consumidor é intolerável, arrematou o julgado, não se admitindo que o consumidor, ao procurar um empréstimo em rede bancária se depare com ato abusivo, pois já é a parte inferior da relação jurídica que se instaura, mormente ante a capacidade econômica do Banco cujo porte permitiu com que a indenização, à favor da consumidora, fosse restasse majorada, ante o fato de pretender burlar o princípio de que é vedado ao fornecedor de serviços condicionar o fornecimento de produto ao fornecimento de outro, sem justa causa, como sói tenha ocorrido na espécie, deliberou o julgamento. 

Processo nº 0639514-22.2020.8.04.0001

Leia o acórdão:

APELAÇÃO CÍVEL N.º 0639514-22.2020.8.04.0001/CAPITAL. RELATORA : DESA. MARIA DAS GRAÇAS PESSÔA FIGUEIREDO.Autora: Cláudia Farias. Réu: Bradesco. EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE REPARAÇÃO PORDANOS MORAIS E MATERIAIS. CÓDIGO DE DEFESA DOCONSUMIDOR. COBRANÇA INDEVIDA DE SEGURO COMOCONDIÇÃO PARA AQUISIÇÃO DE EMPRÉSTIMO BANCÁRIO. VENDA CASADA. ABUSIVIDADE. DANO MORAL
CONFIGURADO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. MAJORAÇÃO. NECESSIDADE.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.

Leia mais

Prescrição estancada: restauro de autos devolve ao credor direito de executar restituição de taxa indevida

O crédito executado tem origem em sentença transitada em julgado proferida após o Supremo Tribunal Federal declarar a inconstitucionalidade da Taxa de Iluminação Pública,...

Sem saltos: Judiciário não pode substituir exame administrativo de aposentadoria pendente

O ponto sensível do conflito — e que a sentença enfrenta de modo explícito — está no fato de que a extinção do processo...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

PL pede que governo tampão do RJ seja exercido por presidente da Alerj

O Partido Liberal (PL) pediu nesta segunda-feira (30) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o comando interino do governo...

TJSC firma acordo para oferecer psicoterapia a mulheres em situação de violência doméstica

Neste mês das mulheres, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (PJSC), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação...

Motorista de ônibus agredido em serviço por passageiro será indenizado

A Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) condenou uma empresa de transporte coletivo de...

Justiça confirma responsabilização de homem por violência doméstica contra a avó

O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), por meio da Câmara Criminal, decidiu, por unanimidade, manter a sentença que...