Justiça condena banco e seguradora por cobranças indevidas de correntista no Amazonas

Justiça condena banco e seguradora por cobranças indevidas de correntista no Amazonas

A 23ª Vara Cível de Manaus condenou, solidariamente, o Banco Bradesco e a Companhia de Seguros Previsul ao pagamento de indenização por danos materiais e morais a um correntista, em razão de descontos indevidos em sua conta bancária.

A decisão, proferida pela juíza Suzi Irlanda Araujo Granja da Silva, reconheceu a responsabilidade das instituições financeiras pelos prejuízos causados ao consumidor, fundamentando-se no risco inerente à atividade empresarial e no dever de fiscalização das operações realizadas em seu âmbito de atuação.

Contexto do caso

O autor da ação relatou que valores mensais sob a denominação “Previsul” foram debitados de sua conta corrente sem qualquer previsão contratual, notificação prévia ou consentimento. Diante disso, ingressou com a demanda judicial requerendo a devolução em dobro das quantias indevidamente descontadas, além de indenização por danos morais.

Em sua defesa, o Bradesco alegou ilegitimidade passiva, sustentando que a responsabilidade seria exclusiva da Previsul. No entanto, a sentença rejeitou essa argumentação, destacando que os descontos ocorreram diretamente na conta do correntista mantida junto ao banco, evidenciando a relação jurídica entre as partes e a caracterização do Bradesco como integrante da cadeia de consumo.

A seguradora, por sua vez, não conseguiu comprovar a legalidade das cobranças efetuadas, reforçando a conclusão de que a imposição dos débitos foi irregular.

Decisão judicial

Ao analisar o caso, a magistrada ressaltou o dever das instituições financeiras de garantir a segurança das movimentações bancárias de seus clientes, prevenindo fraudes e débitos indevidos. Diante da falha na prestação desse serviço, determinou a devolução em dobro dos valores cobrados indevidamente, nos termos do artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Além disso, condenou o banco e a seguradora ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 3 mil.

A decisão reafirma o entendimento de que fraudes e cobranças indevidas configuram risco inerente à atividade bancária e que as instituições financeiras devem adotar mecanismos eficazes para evitar prejuízos aos consumidores.

Processo nº.: 0482918-05.2023.8.04.0001

Leia mais

Análise de documentos não se confunde com dilação probatória para negar mandado de segurança

TRF1 suspende sentença que extinguiu ação sem julgamento do mérito ao entender que controvérsia pode ser resolvida com base em documentos já constantes dos...

Turma Recursal aplica tese do STJ e garante reflexos do abono de permanência nas férias e no 13º

O abono de permanência voltou ao centro das discussões na Justiça Federal. Ao julgar recurso da Fundação Universidade do Amazonas (UFAM), a Turma Recursal...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça mantém indenização por cesariana sem indicação clínica comprovada

A 7ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve a condenação de um hospital do...

Empresa deve devolver sinal pago por condomínio após descumprir contrato

A 18ª Vara Cível da Comarca de Natal determinou a rescisão de um contrato firmado para a realização de...

Justiça garante indenização a mãe que esperou quase 10 meses por energia elétrica

O Juizado Especial Cível, Criminal e da Fazenda Pública da Comarca de Baraúna julgou procedente uma ação movida por...

Filho é condenado a 61 anos de prisão por matar a mãe e o padrasto

O Tribunal do Júri da comarca de Itajaí (SC), no Litoral Norte do estado, condenou nesta quinta-feira (2) dois...