A Controladoria-Geral da União instaurou processos administrativos disciplinares (PADs) e recomendou a demissão de ao menos 14 oficiais de inteligência e policiais federais suspeitos de participação no esquema que ficou conhecido como “Abin paralela”.
As apurações atingem inclusive servidores que não chegaram a ser indiciados pela Polícia Federal no inquérito criminal.
Os fatos investigados remontam ao período em que a Agência Brasileira de Inteligência esteve sob a direção do então diretor-geral Alexandre Ramagem, durante o governo Jair Bolsonaro, bem como à gestão de seu sucessor.
Segundo a CGU, há indícios de desvio da finalidade institucional da agência, com utilização da estrutura de inteligência para atender a interesses políticos do governo da época.
De acordo com a CGU, a Abin teria atuado de modo “clandestino” e politicamente motivado, com uso indevido do software First Mile para monitoramento de comunicações, em detrimento da finalidade pública do órgão em alguns casos.
Os processos administrativos foram instaurados pela corregedoria-geral da CGU em novembro, e os servidores foram notificados em dezembro para apresentação de defesa. Ramagem, hoje foragido da Justiça, também é citado nos autos.
