Calculadora Cidadão não serve a revisão de juros; contratos eletrônicos são válidos, diz TJ-AM

Calculadora Cidadão não serve a revisão de juros; contratos eletrônicos são válidos, diz TJ-AM

A Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Amazonas em julgamento de apelação cível, manteve a validade de um contrato eletrônico de empréstimo bancário e rejeitou o pedido de revisão contratual solicitada pela consumidora. A autora da ação alegava abusividade na taxa de juros pactuada e solicitava a revisão com base no programa “Calculadora Cidadão”, do Banco Central do Brasil (BACEN). O recurso foi conhecido, mas não provido. Foi relatora a Desembargadora Maria das Graças Pessoa Figueiredo, do TJAM.
 
A consumidora argumentou que o contrato eletrônico firmado apresentava cláusulas abusivas, especialmente no que se refere à taxa de juros aplicada pela instituição financeira. Além disso, requereu a revisão das condições contratuais, utilizando como base o cálculo fornecido pelo programa “Calculadora Cidadão” do BACEN.

 Ao analisar o caso, a relatoria destacou que é regular o contrato eletrônico firmado e assinado digitalmente pelo autor com o uso de biometria facial e outros dados de autenticação. Não foram identificados vícios de consentimento, e o contrato foi considerado redigido de forma clara e objetiva, cumprindo os requisitos do CDC e do Código Civil. 

Não se constatou abusividade ou ilegalidade nas cláusulas contratuais, incluindo a taxa de juros, que foram previamente informadas e aceitas.

Quanto à Calculadora Cidadão,  do BACEN, foi reafirmado que o programa não é ferramenta adequada para revisar taxas de juros, pois não contempla os encargos operacionais das instituições financeiras, conforme estipulado pela Resolução n. 3.517/2007 do BACEN.

 O acórdão destaca que a revisão de contratos bancários deve ser fundamentada em elementos concretos de abusividade ou ilegalidade e que a discordância posterior às condições livremente pactuadas não constitui motivo suficiente para alterar os termos contratuais.

A tese fixada pela decisão estabelece que: Contratos eletrônicos de empréstimo firmados com validação digital não apresentam, por si só, vício de consentimento ou abusividade. O programa “Calculadora Cidadão” não pode ser utilizado como base para revisão de cláusulas contratuais relacionadas a juros e encargos financeiros. 

Processo n. 0431671-48.2024.8.04.0001  
Classe/Assunto: Apelação Cível / Interpretação / Revisão de Contrato
Relator(a): Maria das Graças Pessoa Figueiredo
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Primeira Câmara Cível
Data do julgamento: 06/12/2024
Data de publicação: 06/12/2024

Leia mais

Júri em Manaus condena homem a 21 anos e 10 meses por matar industriário com 10 tiros

Em julgamento realizado pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus no último dia 27/3, Jhons Fernando de Souza Valente foi...

TRT-11 mantém justa causa de técnico acusado de assediar colega lésbica em hospital de Manaus

O Tribunal Regional do Trabalho da 11.ª Região (AM/RR) manteve a justa causa de um técnico de enfermagem acusado de assediar sexualmente uma colega...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Júri em Manaus condena homem a 21 anos e 10 meses por matar industriário com 10 tiros

Em julgamento realizado pela 2.ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus no último dia 27/3, Jhons...

TRT-11 mantém justa causa de técnico acusado de assediar colega lésbica em hospital de Manaus

O Tribunal Regional do Trabalho da 11.ª Região (AM/RR) manteve a justa causa de um técnico de enfermagem acusado...

Justiça dá 90 dias para Estado do AM apresentar lista de presos com deficiência no sistema prisional

A Justiça do Amazonas concedeu liminar em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Píblico do Amazonas (MPAM) e determinou...

Defeito oculto em motor gera indenização a compradora

A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve decisão da Comarca de Formiga, na...