Agredir e ameaçar mulher com simulacro de arma de fogo no Amazonas, motiva prisão preventiva

Agredir e ameaçar mulher com simulacro de arma de fogo no Amazonas, motiva prisão preventiva

O Desembargador João Mauro Bessa rejeitou a tese de constrangimento ilegal sofrido por Enildo Santos ao examinar impetração de habeas corpus dentro do contexto dos crimes de ameaça e lesão corporal no âmbito da violência doméstica. O Writ constitucional se lastreou em dois fundamentos: ¹ ilegalidade do flagrante delito e ² ausência de demonstração da gravidade concreta da conduta do Paciente. Quanto ao primeiro argumento, pacificou-se que a tese da ilegalidade do flagrante fica superada com o decreto de prisão preventiva e, derradeiramente, não coube a alegação da ausência de perigo, pois o ofensor foi a casa da vítima na posse de uma tesoura e de um simulacro de arma de fogo, ameaçando e agredindo a mulher com socos e chutes pelo corpo. 

Dentro das mesmas circunstâncias o julgado observou que o Paciente já havia descumprido medidas protetivas de urgência em processo específico, de cujo conteúdo houve pleno e amplo conhecimento pelo  investigado, não podendo alegar a ignorância da medida imposta, descumprida, e de suas consequências. 

Destacou o julgado que a alegação do Paciente de que não caberia, no caso concreto, o decreto de prisão preventiva, não pode ser acolhida pela circunstância de que a pena privativa de liberdade cominada aos crimes não ultrapasse o máximo de 04 anos, pois, como firmou o STJ “é admitida a decretação da prisão preventiva em relação a crime doloso punido com pena privativa máxima igual ou inferior a 04 anos, em situação de violência doméstica e familiar contra a companheira, a teor do artigo 313, III, do CPP”.

Para o julgado, atendidos os requisitos instrumentais do artigo 313, Inciso III, do CPP, bem como presentes os motivos que clamam a manutenção da ordem pública, dever ser a prisão preventiva mantida, não havendo que se falar em revogação, ou mesmo em aplicação de medidas cautelares diversas da prisão previstas na lei, mormente quando estas se revelarem insuficientes quando previamente o ofensor tenha descumprido medidas protetivas anteriormente deferidas. 

Processo nº 4001924-24.2022.8.04.0000

Leia o acórdão:

PRIMEIRA CÂMARA CRIMINAL. HABEAS CORPUS. PROCESSO N.º: 4001924-24.2022.8.04.0000. Autor: Enildo Amazonas. PROCESSO PENAL – HABEAS CORPUS VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LESÃO – AMEAÇA – DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS
PROTETIVAS – ILEGALIDADE DO FLAGRANTE – ALEGAÇÃO SUPERADA PRISÃO PREVENTIVA FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA – ART. 313, III DO CPP – RECOMENDAÇÃO 62 DO CNJ – AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXCEPCIONALIDADE DO CASO – CONSTRANGIMENTO ILEGAL INEXISTENTE ORDEM DENEGADA.

 

 

Leia mais

STF nega recurso de homem condenado por acessar câmeras para vigiar ex-mulher em Manaus

 Ministra Cármen Lúcia rejeitou recurso contra condenação; defesa alegava que o equipamento pertencia ao acusado e que o acesso buscava proteger o filho.  Mesmo após...

Humaitá pede suspensão da RDS Mirari e aponta risco à regularização de terras

Município questiona estudos e consulta pública e busca anular o decreto presidencial, alegando avaliação insuficiente dos impactos sobre moradores e produtores. A Prefeitura de Humaitá...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Flávio Bolsonaro altera carta e passa de “presidente eleito” a “líder do Brasil”

Senador contesta resultado das eleições, reconhecido oficialmente pelo TSE, e anuncia que pretende comandar a oposição a partir dos...

Justiça mantém condenação por ameaça contra mãe em contexto de violência doméstica

A 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação de homem...

PF indicia Vorcaro e mais 14 investigados no caso Master

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (28) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 investigados pelas fraudes financeiras...

Kassio pede à PGR parecer sobre revisão da pena de Bolsonaro

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu nesta quarta-feira (28) prazo de dez dias para...