GSI promove audiência pública sobre Política Nacional de Cibersegurança

GSI promove audiência pública sobre Política Nacional de Cibersegurança

Termina nesta quarta-feira (14/6) o prazo para as inscrições para a audiência pública em que será debatido o projeto de lei de criação da Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber), marcada para esta quinta-feira (15/6), às 8h30, no Auditório do Anexo I do Palácio do Planalto, em Brasília. A organização é do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O objetivo principal da criação do PNCiber é centralizar a segurança cibernética na estrutura do governo federal, contando com uma agência voltada exclusivamente para esse fim. A previsão é que esse órgão tenha 800 servidores quando atingido seu efetivo total, o que ocorrerá ao fim de cinco anos, contados de sua instalação pelo Poder Executivo.

Além da Agência Nacional de Cibersegurança (ANCiber), o projeto de lei prevê a criação de órgãos de regulação e acompanhamento como o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber); o Gabinete de Gerenciamento de Cibercrises (GGCiber); e o Complexo Nacional de Cibersegurança, além de outros instrumentos como a Estratégia Nacional de Cibersegurança (e-Ciber); o Plano Nacional de Cibersegurança (p-Ciber); a Cooperação Internacional; e o Ensino, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.

De acordo com o GSI, “a PNCiber é uma proposta voltada a unificar a ‘colcha de retalhos’ regulatória existente no país, minimizar o crescente número de incidentes que acometem o país, gerando enormes prejuízos para a sociedade brasileira, buscar diminuir o débito tecnológico nacional no setor e ampliar a participação brasileira na cooperação internacional sobre a temática”.

Segundo o órgão, a promoção da cibersegurança não será uma tarefa exclusiva do Poder Executivo.

“A proposta abrange e busca congregar não apenas o Poder Executivo federal, mas também os demais poderes, em todas as esferas (federal, estadual e municipal), bem como o setor produtivo e a academia, norteando (ou ‘suleando’, como preferem alguns) os esforços nacionais em cibersegurança, alinhada com os diagnósticos de diferentes instituições, como o Senado Federal, o TCU, o Fórum Econômico Mundial, a FGV e outros não menos importantes e relevantes.”

O Comitê Nacional de Cibersegurança será um órgão de assessoramento ao presidente da República sobre segurança cibermética, contando com representantes da sociedade civil, do setor público, do setor privado e da academia, sendo presidido pelo diretor-geral da ANCiber, agência que, quando plenamente instalada, terá custo estimado em R$ 600 milhões anuais.

“Nossa proposta incorpora as melhores práticas internacionais à ‘cultura institucional’ brasileira. De forma similar ao ocorrido na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), amplamente influenciada pela GDPR europeia, nosso modelo central foi aquele proposto pelo Parlamento Europeu, a diretiva NIS2, de dezembro de 2022. Esse modelo pressupõe a existência de um órgão central nacional, no nosso caso a Agência Nacional de Cibersegurança (ANCiber), de um ‘ente’ fiscalizador, na nossa proposta o Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber), e de um Gabinete de Gerencimento de (Ciber)Crises, que nossa proposta denominou GGCiber”, informa o GSI.

De acordo com o texto do projeto de lei, a Política Nacional de Cibersegurança tem dez objetivos, sendo eles os seguintes:

“1 — Garantir a confidencialidade, a integridade, a autenticidade e a disponibilidade dos ciberativos de interesse da sociedade brasileira;

2 — Fomentar a ciberproteção e a ciber-resiliência do Poder Público, dos ciberativos de interesse e da sociedade como um todo;

3 — Desenvolver na sociedade brasileira a cultura de cibersegurança;

4 — Fomentar a articulação do intercâmbio de informações de cibersegurança entre: a) as esferas do governo; b) o setor privado; e c) a sociedade em geral;

5 — Promover a autonomia produtiva e tecnológica na área de cibersegurança;

6 — Fomentar a participação do Brasil na cadeia produtiva global de produtos e serviços voltados à cibersegurança;

7 — Promover o uso ético de ciberativos e das tecnologias a eles associadas no país;

8 — Fomentar o combate ao cibercrime;

9 —  Promover ações que contribuam para a segurança e para a estabilidade do ambiente digital global; e

10 — Incrementar a projeção internacional do Brasil e inserir o país em processos decisórios internacionais, para fazer valer os valores e os interesses nacionais”.

Problema crescente
O número de incidentes relacionados à segurança cibernética no Brasil tem crescido sensivelmente. Em 2018, a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética (e-ciber) apontou que os ataques cibernéticos resultaram em perdas de aproximadamente R$ 120 bilhões.

No ano seguinte, o Brasil ocupava o segundo lugar no mundo em prejuízos decorrentes de ciberataques.

Além disso, um relatório da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicou que os ataques cibernéticos no Brasil aumentaram 94% no primeiro semestre de 2022, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Como participar
Os interessados em participar da audiência pública devem enviar um e-mail para o endereço [email protected], informando no assunto: “Participação na Audiência Pública no 01/2023 — Política Nacional de Cibersegurança (PNCiber)”. É preciso informar nome completo, CPF, RG e órgão ou empresa que representa, se for o caso.

Leia o texto de apresentação do projeto de lei

Com informações do Conjur

Leia mais

A proteção ao consumidor tem limites: quando o acordo já existe, o dano não se renova

O processo se originou  depois de um cancelamento indevido de linha telefônica, situação que já havia sido objeto de demanda anterior entre as mesmas...

Justiça reconhece assédio decorrente de vazamento de dados e manda empresa indenizar

Consumidora teve seus dados pessoais acessados indevidamente por terceiro em razão de falha na segurança de empresa prestadora de serviço de transporte, o que...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Rede social é condenada a reativar conta e indenizar usuária em R$ 3 mil por danos morais

A Justiça potiguar determinou que uma rede social deverá restabelecer, no prazo de 48 horas, o perfil de uma...

Ex-gerente da CEF e familiares são condenados por irregularidades na concessão de créditos

A 1ª Vara Federal de Erechim (RS) condenou três pessoas da mesma família e uma empresa de construção por...

Operadora de Saúde deve custear tratamento para criança com autismo

A 2ª Câmara Cível do TJRN manteve a obrigação de um Plano de Saúde de custear o tratamento multidisciplinar...

Madeireira deverá indenizar adolescente que atuava em uma das piores formas de trabalho infantil

O juiz Max Carrion Brueckner, da 1ª Vara do Trabalho de Taquara, reconheceu o vínculo de emprego entre um...