TJAM declara nulidade de conversão de flagrante em preventiva sem pedido do Ministério Público

TJAM declara nulidade de conversão de flagrante em preventiva sem pedido do Ministério Público

A Desembargadora Mirza Telma de Oliveira, do Tribunal do Amazonas, concedeu ordem de habeas corpus a Marlon Neves, contra o Juízo de Direito da Central de Inquéritos, por ter, de ofício, decretada prisão preventiva contra o Paciente, ato considerado ilegal, ante ausência de requerimento, para a prisão, do Ministério Público ou da autoridade policial. Assim, se reconheceu a nulidade da decisão, com a concessão de alvará de soltura ao paciente Marlon Neves. 

Cuidou-se de habeas corpus movido pelo paciente assistido pela Defensoria Pública do Amazonas. A prisão em flagrante foi convertida pela magistrada da Central de Inquérito, em contrariedade ao disposto no artigo 282,§§ 3º e 4º e artigo 311, ambos do Código de Processo Penal. A conduta praticada pelo paciente restou consumada pelo descumprimento de medidas protetivas de urgência da Lei Maria da Penha, daí a prisão em flagrante. 

Ocorre que, em audiência de custódia, o Ministério Público opinou pela concessão de liberdade provisória com monitoramento eletrônico, por entender que não estariam presentes os pressupostos autorizadores do decreto de prisão preventiva, além de que a vítima havia informada que teria consentido a entrada do companheiro afastado em sua casa. Todavia, a magistrada de plantão, Rosália Guimarães  Sarmento, decretou, de ofício, a prisão preventiva. 

“Dentre as alterações que a Lei nº 13.964/2019, conhecida como Pacote Anticrime, trouxe ao Código de Processo Penal, está a previsão de que a prisão preventiva só poderá ser decretada pelo magistrado se houver requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial”. Tendo sido a prisão decretada de ofício pelo juiz, caracterizado está o constrangimento ilegal, arrematou o julgado. 

Processo nº 4002952-27.2022.8.04.0000

Leia o acórdão:

HABEAS CORPUS CRIMINAL Nº 4002952-27.2022.8.04.0000 – MANAUS/AM. IMPETRANTE: DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO AMAZONAS. PACIENTE: MARLON BRENDO  BARBOSA NEVES. IMPETRADO: JUÍZO DE DIREITO DA CENTRAL DE INQUÉRITOS. RELATORA: DESEMBARGADORA MIRZA TELMA DE OLIVEIRA CUNHA.  EMENTA: HABEAS CORPUS. INJÚRIA. AMEAÇA. DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS PROTETIVAS. ARTIGOS 140 E 147, DO CÓDIGO PENAL, E ARTIGO 24-A, DA LEI Nº 11.340/2006. PRISÃO DECRETADA DE OFÍCIO. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO TRAZIDA PELO PACOTE ANTICRIME. AUSÊNCIA DE REQUERIMENTO MINISTERIAL OU DA AUTORIDADE POLICIAL. CONTRARIEDADE AO NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO. RATIFICAÇÃO DE LIMINAR DEFERIDA. ORDEM CONCEDIDA. – As prisões cautelares, como medidas restritivas da liberdade individual que são, devem ser comprovadamente necessárias e fundamentadas em uma das hipóteses do art. 312, do CPP. – Dentre as alterações que a Lei nº 13.964, de 24.12.2019, conhecida como Pacote Anticrime, trouxe ao Código de Processo Penal, está a previsão de que a prisão preventiva só poderá ser decretada pelo magistrado se houver requerimento do Ministério Público ou representação da autoridade policial (artigo 311). – Tendo a prisão preventiva sido decretada de ofício pelo Juízo a quo, caracterizado está o constrangimento ilegal. – Ordem concedida.

 

Leia mais

Teste de Aptidão Física: revisão de critérios esbarra em limites, diz STJ ao manter candidato eliminado

A atuação do Poder Judiciário em concursos públicos encontra limite na impossibilidade de substituir a banca examinadora na avaliação de critérios técnicos e objetivos...

Erro induzido por banco ao substituir empréstimo por cartão impõe reparação moral e devolução em dobro

O juiz Márcio Rothier Pinheiro Torres destacou que, embora a modalidade de cartão consignado seja legal e regulamentada pelo Banco Central, sua prática reiterada...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Vale o contrato: limite da margem consignável não se aplica a empréstimo com débito em conta

A 2ª Vara Cível da Comarca de Barbacena, do Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais, julgou improcedente ação...

Justiça do Maranhão proibe Uber de aumentar tarifas de transporte durante greve de rodoviários

Decisão da Justiça estadual do Maranhão, de 4 de fevereiro, impediu as empresas de transportes Uber e 99 de...

TJRJ revoga bloqueio de bens em ação de improbidade por falta de prova de desvio patrimonial

A 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro reformou decisão de primeiro grau...

Assédio moral exige conduta patronal: apelido vexatório isolado não gera responsabilidade da empresa

A 3ª Câmara (2ª Turma) do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região manteve sentença que rejeitou pedido de...