Seguradora é condenada a indenizar cliente por não comunicar ao Detran furto de veículo

Seguradora é condenada a indenizar cliente por não comunicar ao Detran furto de veículo

A Terceira Turma Recursal do Amazonas, sob a relatoria de Juiz Moacir Pereira Batista, decidiu de forma unânime em favor do autor de uma ação indenizatória contra uma seguradora, dispondo pela falha na prestação de serviços da prestadora e majorando o valor dos danos morais para R$ 6 mil.

Quando a seguradora deixa de atualizar os documentos de um veícuo roubado e o proprietário passa a receber multas, ela deve arcar com indenização. No caso a ação foi originada a partir de um protesto indevido decorrente de débitos fiscais emitidos após o furto de uma motocicleta que foi objeto do contrato de seguro. 

No caso, a parte autora adquiriu uma motocicleta em 2019 e firmou contrato de seguro com vigência até 2020. O veículo foi roubado em agosto de 2020, e, após o sinistro, o autor apresentou todos os documentos exigidos para o fim de proteção, indenização e a transferência de propriedade, conforme previsto no contrato.

Contudo, em 2022, o autor foi questionado com um protesto referente ao IPVA de 2021, no valor de R$ 275,64, em virtude da omissão da seguradora em proceder com a baixa do registro do veículo junto aos órgãos competentes, dentre estes o Detran/Amazonas. 

A sentença de primeira instância fixou pela falha na prestação de serviço, mas o autor recorreu pleiteando a majoração do valor dos danos morais. No recurso, o Juiz Moacir Pereira Batista destacou que a seguradora não declarou ter realizado qualquer diligência ou comunicação com os órgãos de trânsito estaduais e municipais, o que teria evitado a posterior emissão de autuações e impostos em nome do autor.

O relator enfatizou que, ao contratar o seguro, o consumidor busca evitar transtornos e constrangimentos futuros, de forma que a inércia da seguradora, no caso concreto, se demonstrou incompatível com o propósito do cliente. 

O magistrado esclareceu que, embora o veículo não fosse considerado irrecuperável, caberia à seguradora notificar os órgãos de trânsito e cumprir suas obrigações, inclusive para que impostos e multas  deixassem de ser emitidos em nome do proprietário anterior.

Pela razão da falha demonstrada, o relator decidiu pela manutenção da sentença guerreada quanto às obrigações de baixa do registro, afastando, porém, a necessidade de transferência por parte da Seguradora por entender que o bem não esteve na condição de irrecuperável.

Por fim, a Terceira Turma Recursal acolheu parcialmente o recurso do autor, majorando o valor dos danos morais para R$ 6 mil, em conformidade com os critérios da razoabilidade e proporcionalidade, e reafirmou a responsabilidade da seguradora em relação ao cumprimento de suas obrigações contratuais e administrativas. Manteve-se a indenização dos danos materiais causados. 

Processo n. 0487014-63.2023.8.04.0001  
Classe/Assunto: Recurso Inominado Cível / Seguro
Relator(a): Moacir Pereira Batista
Comarca: Manaus
Órgão julgador: 3ª Turma Recursal
Data do julgamento: 02/10/2024
Data de publicação: 02/10/2024

Leia mais

Justiça manda retirar do ar site de Maria do Carmo com acusações contra Omar Aziz

Juíza do TRE-AM aponta desinformação e distorção de notícias antigas para associar candidato a crimes sem comprovação. Decisão determina remoção em seis horas, sob...

Justiça Eleitoral nega pedido de Maria do Carmo para retirar vídeo que aponta dívidas da Fametro

A juíza Mara Elisa Andrade negou a retirada imediata do vídeo por entender que as acusações exigem análise dos documentos e manifestação de Waldery...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Ex-gerente da Caixa é condenado por gestão fraudulenta

A 7ª Vara Federal de Porto Alegre (RS) condenou um ex-gerente-geral da Caixa Econômica Federal (CEF) pelo crime de...

Justiça do Trabalho condena empresa por revista íntima vexatória contra trabalhadora

A 8ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região condenou uma empresa de logística e transporte rodoviário...

Justiça reconhece boa-fé e reduz multa por depósito de acordo em banco diferente do previsto

A 2ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região reduziu de 50% para 25% a multa prevista...

Justiça manda retirar do ar site de Maria do Carmo com acusações contra Omar Aziz

Juíza do TRE-AM aponta desinformação e distorção de notícias antigas para associar candidato a crimes sem comprovação. Decisão determina...