A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), a Operação Zona Cinzenta para apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP).
A investigação tem como foco a aprovação e a execução de investimentos realizados pela autarquia previdenciária estadual, especialmente a aplicação de valores expressivos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição que posteriormente foi liquidada pelo Banco Central do Brasil e passou a figurar no centro de um escândalo financeiro.
Segundo a Polícia Federal, o fundo previdenciário do Amapá esteve entre os que mais direcionaram recursos a esse tipo de ativo, somando cerca de R$ 470 milhões, montante equivalente a 4,7% do patrimônio líquido da previdência estadual. As letras financeiras, diferentemente de CDBs e outros títulos de renda fixa tradicionais, não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o que amplia significativamente o risco em caso de insolvência da instituição emissora.
No âmbito da operação, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos no município de Macapá, por ordem da 4.ª Vara da Justiça Federal, com o objetivo de coletar documentos e dispositivos eletrônicos que possam esclarecer o processo decisório interno e a eventual responsabilização dos gestores.
O RPPS/AP é administrado pela Amapá Previdência (Amprev). As apurações indicam que, em julho de 2024, foram realizados quatro aportes sucessivos em letras financeiras do Banco Master, mesmo diante de alertas e manifestações contrárias de parte dos conselheiros do fundo.
A Polícia Federal investiga a prática dos crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta, buscando apurar se houve negligência, violação a deveres fiduciários ou desconsideração deliberada de riscos relevantes. Com a liquidação da instituição financeira emissora dos títulos, servidores públicos e aposentados do Estado podem ficar expostos a perdas de grande monta, o que reforça a gravidade do caso sob a ótica previdenciária e do direito financeiro público.
A investigação segue em curso, e a PF não descarta novas diligências a partir da análise do material apreendido.
PF deflagra operação para investigar fundo previdenciário do Amapá após liquidação do Master
PF deflagra operação para investigar fundo previdenciário do Amapá após liquidação do Master
