Operação Tritão: 8 ex-funcionários do porto de Santos (SP) tornam-se réus após denúncia do MPF

Operação Tritão: 8 ex-funcionários do porto de Santos (SP) tornam-se réus após denúncia do MPF

A Justiça Federal recebeu denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF), na qual 11 pessoas são acusadas por peculato pelo contrato firmado entre a Companhia Docas do Estado de São Paulo – Codesp (atualmente denominada Santos Port Authority) e uma empresa supostamente especializada em drones. Dos 11 réus, 8 são ex-integrantes da estatal e foram denunciados também por fraude na licitação. Esta é a segunda denúncia oferecida no âmbito da operação Tritão, que investiga atos ilícitos cometidos entre 2013 e 2018 pela então gestão da Codesp.

Os drones deviam ser utilizados para reforçar a segurança do porto de Santos (SP), coibindo o roubo de cabos de energia e evitando possíveis danos ambientais com a fiscalização do abastecimento de combustível dos navios. Em um primeiro momento, a empresa Vert foi recusada por ausência de comprovação de sua capacidade técnica.

Para se habilitar, a Vert apresentou certificado do curso de piloto de drone em nome de Otoniel Pedro Alves. A certificação, porém, não foi emitida por nenhuma escola reconhecida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), como solicitado no processo licitatório.

Contrato de R$ 2,7 milhões – Apesar das primeiras análises sugerindo a inabilitação da Vert, a Codesp contratou a empresa por 12 meses, pelo valor total de R$ 2,7 milhões. A contratação foi realizada com a anuência de José Alex Botelho Oliva, então diretor-presidente da estatal, e outros funcionários da companhia.

A falta de capacitação técnica não foi o único problema encontrado nas investigações. A central de monitoramento, por exemplo, foi instalada em uma base da Codesp, sem ônus para a contratada e sem qualquer autorização formal para seu funcionamento. A documentação também não continha o detalhamento da composição dos preços e não explicava como as quantidades contratadas foram estimadas nem como os serviços seriam controlados, medidos e pagos.

Existem indícios de irregularidades também na composição acionária da Vert à época da formalização do contrato. Havia sócias cuja renda era incompatível com o capital social da empresa. O verdadeiro proprietário da empresa seria o advogado José Eduardo dos Santos.

Em razão das investigações, o MPF pede a condenação dos ex-funcionários da Codesp José Alex Botelho Oliva, Gabriel Nogueira Eufrásio, Francisco José Adriano, Carlos Henrique de Oliveira Poço, Sérgio Pedro Gammaro Junior, Álvaro Clemente de Souza Neto, Cristiano Antônio Chehin e Tawan Ranny Sanches Eusebio Ferreira pelos crimes de peculato e fraude em licitação. Já José Eduardo dos Santos, Otoniel Pedro Alves e Oseas Pedro Alves, da Vert, são acusados de peculato. Além disso, o MPF requer a reparação dos prejuízos provocados pelo contrato fraudulento, com valor mínimo de R$ 2,7 milhões, devidamente corrigidos, bem como o perdimento de todos os proventos obtidos pelos crimes cometidos.

Fonte: Ascom MPF-SP

Leia mais

Operação Metástase: STJ afasta ilegalidade e mantém custódia sob tratamento hospitalar no Amazonas

O Superior Tribunal de Justiça afastou a existência de ilegalidade atual na prisão preventiva de Rafaela Faria Gomes da Silva, investigada na Operação Metástase,...

STJ confirma: quadro anual é dispensável quando servidor preenche critérios objetivos para promoção

O Superior Tribunal de Justiça manteve decisão que reconheceu o direito à promoção funcional de escrivão da Polícia Civil do Amazonas e afastou a...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça de SC suspende lei que proibiu cotas raciais nas universidades

A Justiça de Santa Catarina decidiu nesta terça-feira (27) suspender a lei estadual que proibiu a reserva de cotas...

Empresa é condenada por uso indevido de dados de consumidora em compra online

O 4º Juizado Especial Cível de Brasília condenou, solidariamente, uma instituição de pagamentos e uma plataforma de comércio eletrônico a...

Infração administrativa grave não impede emissão de CNH definitiva, decide TJSP

A 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que autarquia emita Carteira Nacional...

Entidades vão ao STF para barrar lei de SC que proíbe cotas raciais

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e outras entidades protocolaram nesta segunda-feira (26) ações de inconstitucionalidade no Supremo...