Juiz define que Banco deve sofrer multa proporcional por retardar processo com recursos

Juiz define que Banco deve sofrer multa proporcional por retardar processo com recursos

A relação das partes, no curso do processo deve se pautar sempre pelo princípio da cooperação e da boa-fé. O descumprimento desse dever impõe a todos os sujeitos do processo a imposição de penalidades por violação às regras processuais. Com essa disposição, o Juiz Izan Alves Miranda Filho, da 16ª Vara do Trabalho, em Manaus, condenou a Caixa Econômica Federal por entender que o Banco agiu com pretensão de retardar a execução trabalhista instaurada contra si, definindo que o recurso foi meramente procrastinatório. 

No recurso de embargos à execução de autoria da CEF, a Caixa usou o argumento de excesso de execução, divergindo quanto ao índice de cálculos de correção monetária aplicado nos cálculos que já tinham sobre si o manto protetor da homologação judicial. O Banco alegou que deveria ser utilizada a Taxa Referencial (TR) como índice de atualização monetária, enquanto a planilha de cálculos aplicou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E).

A Caixa, assim, pretendeu derrubar o valor da execução de R$ 95 mil, para R$ 65 mil. Definindo o imbróglio causado pelo Banco o magistrado considerou que a questão do índice de correção monetária já havia sido amplamente discutida e decidida no curso do processo, com decisão transitada em julgado.

Também advertiu que a insurgência da Caixa quanto à correção monetária havia sido, antes, enfrentada e rejeitada em diversas ocasiões processuais. Assim, concluiu que a intenção do Banco foi a de, apenas, retardar o processo, em atitude violadora da boa-fé e de princípios constitucionais. 

“Destarte, evidenciando-se nos autos que a executada pretende rediscutir matérias já acobertadas pela coisa julgada, resta caracterizado o caráter meramente protelatório dos embargos à execução, impondo-se a aplicação da multa por litigância de má-fé, nos termos do art. 80, VII, combinado com o art. 81, tudo do CPC”, registrou a decisão. 

O juiz considerou que o Banco executado praticou atos que demonstraram litigância de má-fé, condenando-a ao pagamento de multa por litigância de má-fé, no valor de 5% do valor da causa (cinco por cento de R$113.316,50), em favor do reclamante. Izan Filho também advertiu que se o Banco insistir em recorrer, será liberado ao reclamante o valor líquido da condenação. 

  ATOrd 0001339-46.2017.5.11.0008

Leia mais

HC no caso Benício elimina hipótese de que a conduta da médica contenha elementos de dolo eventual

O caso tem origem no falecimento do menino Benício Xavier de Freitas, ocorrido em 22 de novembro de 2025, após atendimento no Hospital Santa...

Omissão que indeniza: Sem intervir em conflito entre clientes, loja é condenada no Amazonas

Uma agressão ocorrida dentro de uma loja de produtos pet em Manaus resultou na responsabilização civil do estabelecimento por omissão na prevenção e contenção...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

HC no caso Benício elimina hipótese de que a conduta da médica contenha elementos de dolo eventual

O caso tem origem no falecimento do menino Benício Xavier de Freitas, ocorrido em 22 de novembro de 2025,...

Fisioterapeuta de UTI exposta a doenças infectocontagiosas receberá adicional de insalubridade em grau máximo

A Segunda Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região (TRT-GO) negou, por unanimidade, o recurso apresentado por uma empresa que administra...

Mudança na Lei de Benefícios não afeta continuidade do auxílio-acidente em casos de sequela permanente

A 9ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiu, por unanimidade, negar provimento à apelação do...

Mulher vítima de assédio sexual pode atuar como terceira interessada em PAD contra magistrado

Mulheres que tenham sido vítimas de assédio sexual praticado por integrante da magistratura poderão ser incluídas como terceiras interessadas...