Fiscalização analisa despesas obrigatórias criadas em 2021

Fiscalização analisa despesas obrigatórias criadas em 2021

O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou, sob a relatoria do ministro Aroldo Cedraz, acompanhamento para avaliar, no exercício de 2021, a conformidade das medidas normativas de criação de despesas obrigatórias de caráter continuado (DOCCs), além da criação ou expansão das renúncias de receitas tributárias.

“O objetivo da Corte de Contas é acompanhar e controlar esses benefícios no que concerne às disposições da Constituição Federal, da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)”, pontuou o ministro-relator Aroldo Cedraz.

A auditoria do TCU chama a atenção para o fato de que a criação de DOCC exige, além de dotação e estimativa do impacto fiscal, medidas de compensação: com o aumento permanente de receita ou a redução permanente de despesa. Assim, a DOCC criada pela lei aprovada só pode ser executada após a implementação das medidas de compensação.

“Registro, ainda, que as definições e as orientações em relações às medidas judiciais e administrativas que deveriam ser tomadas, no caso de criação de DOCCs sem o cumprimento dos requisitos legais, são temas a serem enfrentados pelo Poder Executivo para evolução da governabilidade e higidez fiscal”, observou o ministro Cedraz.

No que diz respeito às renúncias tributárias, constatou-se que o Poder Executivo não demonstrou o cumprimento de exigências constitucionais e legais, bem como de diversas deliberações do TCU, para a concessão e aplicação dessas renúncias no exercício de 2021.

“Considerando haver indícios de vícios no processo legislativo referente às normas instituidoras de renúncias tributárias em 2021, bem como na sua implementação (eficácia), sem o cumprimento dos requisitos constitucionais e legais, enviaremos cópia de nossa deliberação ao Ministério Público Federal para que avalie a conveniência e a oportunidade de atuar na via do controle concentrado de constitucionalidade”, ponderou Cedraz.

Outras deliberações

O TCU decidiu dar ciência à Casa Civil da Presidência da República (CCPR), ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) e ao Ministério da Fazenda (MF) da necessidade de regulamentar as providências administrativas ou judiciais nos casos de rejeição de veto, por parte do Poder Legislativo, a dispositivos legais que instituam renúncias de receitas sem a devida adequação orçamentária, financeira, constitucional e legal.

Os mesmos três órgãos (CCPR, MPO e MF) também serão cientificados da necessidade de fiel observância às normas para a geração de despesas com pessoal de caráter obrigatório e continuado, especialmente a demonstração de recursos suficientes para custeio da despesa ao longo do tempo, seja pelo aumento permanente de receita, seja pela redução de outra despesa.

A Corte de Contas ainda cientificou os três órgãos quanto à ausência de regulamentação das providências administrativas e judiciais a serem tomadas em relação a DOCCs criadas e cuja norma de origem foi considerada ineficaz. Essa ausência dificulta a tomada de medidas pertinentes para impossibilitar a realização dessa despesa.

Com informações do TCU

Leia mais

Sem prova de má-fé na acumulação de cargos, STF afasta improbidade de militar do Amazonas

A caracterização de ato de improbidade administrativa exige a comprovação de dolo, não sendo suficiente a mera ilegalidade ou irregularidade administrativa. Com esse entendimento, o...

Incompetência do juízo não impede suspender imposto de renda quando há risco à saúde do aposentado

Juiz estadual concedeu tutela antes de remeter o processo à Justiça Federal, que ratificou os atos processuais e manteve a decisão até nova análise. O...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Cármen Lúcia critica falta de espaços de poder para mulheres

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Cármen Lúcia, defendeu nesta terça-feira (10) maior participação feminina nos espaços...

Dino defende STF e diz que Corte “acerta mais do que erra”

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (10) a atuação do tribunal e afirmou...

TSE retoma julgamento que pode cassar governador do Rio de Janeiro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomou há pouco o julgamento do processo que pede a cassação do mandato do...

Toffoli esclarece suspensão de ações por cancelamento de voos

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (10) esclarecer a decisão que determinou a suspensão...