Consumidor que perde tempo útil tentando provar dívida indevida deve ser indenizado

Consumidor que perde tempo útil tentando provar dívida indevida deve ser indenizado

O Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM), por meio da Câmara Cível, fixa jurisprudência em que reconhece a ocorrência de dano moral decorrente de cobrança indevida e perda de tempo útil. A decisão foi proferida em um Recurso de Apelação interposto contra sentença cível. 

A ação foi movida pelo consumidor após o recorrente alegar ter sido vítima de fraude, com o uso indevido de seu cartão de crédito e a realização de compras não reconhecidas. O autor da ação argumentou que a empresa não criou mecanismos adequados para evitar tal fraude, resultando em lesões materiais e morais.

Em primeira instância, a sentença declarou a inexistência dos débitos cobrados pela Loja, mas negou o pedido de indenização por danos morais. Inconformado, o autor recorreu da decisão, pleiteando a reforma da sentença no tocante à reparação por danos morais.

O Desembargador Yedo Simões de Oliveira, relator do caso, reconheceu a procedência do recurso. Em seu voto, destacou que a cobrança indevida e a demora na correção do erro configuraram dano psicológico ao autor, gerando insegurança e sensação de impotência. Além disso, o relator enfatizou que, na vida moderna, a perda de tempo útil configura dano moral, sendo um dano in re ipsa, ou seja, presumível pela própria natureza do evento.

A decisão fundamentou-se na teoria do risco da atividade, aplicável às relações de consumo, onde a responsabilidade objetiva do fornecedor é reconhecida. O relator fixou a indenização por danos morais em R$ 5 mil, atendendo aos critérios de razoabilidade e aos objetivos preventivo, pedagógico, reparatório e punitivo.

Dessa forma, a decisão do TJAM reforça a proteção ao consumidor, reconhecendo a importância do tempo útil e a responsabilidade das empresas em evitar fraudes e corrigir erros prontamente.

Apelação nº 0624848-26.2014.8.04.0001



Leia mais

TJAM recebe queixa-crime contra promotor que comparou advogada a cadela

O Tribunal Pleno do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) recebeu queixa-crime contra o então promotor de Justiça Walber Luís Silva do Nascimento, acusado...

Causa eleitoral antiga que não mais impeça candidatura deve prosseguir se ainda puder gerar multa, diz TSE

Decisão de Nunes Marques mantém vivo recurso relacionado às eleições de 2010 no Amazonas porque ainda subsiste a possibilidade de aplicação de sanção financeira Uma...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Comissão aprova regras mais rígidas para condenados por crimes sexuais contra crianças

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que torna mais rigorosa a punição...

Hospital responde por fraude praticada com uso de dados sensíveis de paciente

A 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve condenação do Hospital Brasília Unidade Águas Claras e do...

Uso de cartão com chip e senha não afasta responsabilidade do banco por fraude

A 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal manteve condenação do BRB Banco de Brasília S.A. a...

Moraes determina cassação da aposentadoria de ex-diretor da PRF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) a cassação da aposentadoria do...