Cinco anos depois da falta de oxigênio que levou à morte de pacientes no Amazonas, o Ministério Público Federal afirma que autoridades já sabiam do risco de desabastecimento antes do colapso ocorrido em janeiro de 2021.
Segundo o órgão, relatórios da Agência Brasileira de Inteligência mostram que, desde dezembro de 2020, havia falta contínua de oxigênio na rede hospitalar do estado.
Esses documentos passaram a ser usados pelo MPF em uma ação judicial que pede a responsabilização da União, do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus. Para o órgão, a crise não foi inesperada, mas resultado da falta de planejamento e de resposta adequada por parte do poder público, mesmo diante de alertas prévios.
Antes de obter os relatórios, o MPF tentou consegui-los pela Justiça. Entrou com um pedido para obrigar a ABIN a entregar os documentos, mas o processo foi encerrado sem análise do conteúdo. O juiz entendeu que o pedido havia sido feito contra a autoridade errada e que o caso deveria ser analisado por um tribunal superior. O MPF discordou dessa decisão, mas não recorreu porque os relatórios acabaram sendo entregues fora do processo.
Com os documentos em mãos, o MPF apresentou os dados em uma entrevista coletiva. O procurador da República Igor Jordão Alves afirmou que até hoje não se sabe ao certo quantas pessoas morreram ou foram transferidas durante a crise. Segundo ele, além de indenizações, as famílias querem que o Estado reconheça publicamente sua responsabilidade e preserve a memória das vítimas.
O MPF também informou que tenta negociar um acordo com órgãos federais, estaduais e municipais para acelerar reparações às famílias. Apesar disso, segundo o órgão, os governos ainda resistem em admitir falhas. A ação pede indenizações bilionárias e medidas simbólicas, como um pedido oficial de desculpas e a criação de um memorial, para garantir que a tragédia não seja esquecida e não se repita.
PROCESSO 1053641-44.2025.4.01.3200



