TJSP: Reconhecimento voluntário de paternidade permite anulação quando homem foi levado a engano

TJSP: Reconhecimento voluntário de paternidade permite anulação quando homem foi levado a engano

A 4ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que o reconhecimento voluntário de paternidade pode ser anulado quando demonstrado vício de consentimento, como o erro decorrente de falsa convicção sobre a paternidade biológica. Com esse entendimento, o colegiado anulou sentença que havia extinguido, sem resolução do mérito, ação negatória de paternidade por suposta ausência de interesse de agir.

O caso teve origem no foro de Guararema (SP). O autor alegou que manteve breve relacionamento com a mãe da criança e que realizou o registro civil por influência de familiares, acreditando tratar-se de seu filho. Segundo afirmou, posteriormente tomou conhecimento de que a genitora mantinha outros relacionamentos à época da concepção, o que lhe gerou dúvida quanto à paternidade biológica. Diante da recusa inicial da mãe em realizar exame de DNA, ajuizou ação negatória para apuração da verdade biológica.

Apesar de o Ministério Público ter se manifestado favoravelmente à produção da prova pericial, o juízo de primeiro grau extinguiu o processo por entender inexistente o interesse processual, sob o argumento de que o reconhecimento da paternidade teria sido ato voluntário e irretratável.

Ao reformar a decisão, a relatora, desembargadora Fátima Cristina Ruppert Mazzo, destacou que o reconhecimento voluntário de filiação, embora irrevogável no plano da eficácia, não é imune à invalidação quando presente vício de consentimento. Segundo o voto, a pretensão deduzida não busca a simples revogação do vínculo paterno-filial, mas a anulação do ato jurídico por erro, hipótese admitida pelo ordenamento jurídico e pela jurisprudência.

O acórdão citou precedente do Superior Tribunal de Justiça (REsp 878.954/RS), no qual se reconheceu que há vício de consentimento quando o homem registra a criança acreditando ser o pai biológico, mas posteriormente descobre que foi induzido a erro. Também foram mencionados julgados do próprio TJ-SP que reconhecem o interesse de agir em ações negatórias fundadas nessa circunstância.

Com isso, a Câmara deu provimento à apelação para anular a sentença e determinar o retorno dos autos à origem, a fim de que o processo tenha regular prosseguimento, com eventual instrução probatória. O colegiado ressaltou que o exame do interesse de agir não se confunde com o julgamento do mérito da anulação, que deverá ser apreciado após a produção das provas necessárias.


Processo n. 1001376-26.2023.8.26.0219

Leia mais

DNIT e portos da Região Norte: MPF sustenta ilegalidade de exigência técnica em pregão

O processo, um mandado de segurança, debate se a Administração pode excluir uma empresa de uma licitação com base em exigência que não consta...

Estado retoma plano de igualdade racial e revê capacitação policial no Amazonas

O Estado do Amazonas informou que retomará a construção do Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial e que irá revisar a capacitação de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Operadora de saúde indenizará paciente com câncer de próstata em R$ 7 mil após negar cobertura de exame

O Poder Judiciário potiguar condenou uma operadora de saúde por negar a realização de um exame de imagem a...

Justiça reconhece direitos da companheira de trabalhador morto em Brumadinho e fixa indenização em R$ 500 mil

A Justiça do Trabalho reconheceu o direito da companheira de um trabalhador que morreu aos 32 anos de idade...

Mulher que escorregou em tomate dentro de mercado receberá danos morais e materiais

A 2ª Câmara Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu que um supermercado deve indenizar uma consumidora que caiu dentro...

Conselho amplia poderes do FGC para socorrer banco antes da liquidação

As mudanças no estatuto do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) aprovadas na quinta-feira (22) peloConselho Monetário Nacional (CMN) permitem...