Projeto aprovado pela CCJ garante direito de manter nome de casado após di

Projeto aprovado pela CCJ garante direito de manter nome de casado após di

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, projeto de lei que altera dispositivos do Código Civil e da Lei de Registros Públicos, trazendo novas regras sobre o uso do nome após o casamento e sobre a possibilidade de alteração do nome dos pais e dos filhos nos registros civis.

Alterações no Código Civil
De acordo com o texto aprovado, o cônjuge poderá manter automaticamente o nome de casado mesmo após a dissolução do casamento, exceto se declarar expressamente o desejo de retomada do nome de solteiro. Trata-se de uma inversão da regra atualmente prevista no art. 1.578, § 2º, do Código Civil, que determina a retomada do nome de solteiro como regra geral, salvo decisão em sentido contrário na sentença de separação ou divórcio.

Ainda segundo a proposta, aquele que mantiver o nome de casado poderá, a qualquer tempo, requerer nova alteração mediante declaração escrita dirigida ao cartório de registro civil, sem necessidade de intervenção judicial.

Facilitação de alterações no registro civil dos filhos
O projeto também promove alterações na Lei nº 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos). Dentre as mudanças, destaca-se a possibilidade de atualização do nome dos pais nos registros de nascimento dos filhos por meio de requerimento pessoal, dispensando autorização judicial.

Além disso, o texto autoriza que filhos registrados apenas com o sobrenome de um dos pais possam incluir o sobrenome do outro genitor a qualquer tempo, independentemente de processo judicial.

Caso o pai ou a mãe altere o nome posteriormente, o novo nome poderá ser averbado nos documentos do filho também sem necessidade de autorização do Judiciário. A certidão com as informações atualizadas terá validade plena para emissão de documentos pessoais, como carteira de identidade, carteira de trabalho, CNH e passaporte.

Tramitação
O texto aprovado pela CCJ foi o substitutivo da Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família, que unificou os Projetos de Lei nº 5.591/2019, 5.083/2020 e 497/2022. A relatoria na CCJ ficou a cargo da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), que deu parecer favorável à proposta.

Com a aprovação na CCJ, a matéria segue agora para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada, será remetida à análise do Senado Federal.

Relevância jurídica
As mudanças propostas buscam desburocratizar procedimentos de alteração de nome civil, conferindo maior autonomia ao cidadão no exercício do direito à identidade pessoal e familiar, em conformidade com princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da proteção à família (CF, arts. 1º, III, e 226). Além disso, a proposta reflete a tendência jurisprudencial de flexibilização das regras sobre nome civil, como vem sendo reconhecido pelos tribunais superiores.

Leia mais

Justiça recebe denúncia por naufrágio sob tese de risco assumido de morte

Assumir o risco de matar pode configurar homicídio doloso; Justiça recebe denúncia por naufrágio com mortes em Manaus. Quando alguém adota uma conduta perigosa e,...

STF concede liminar a candidato para assegurar bônus regional em seleção da UFAM

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar a um estudante para assegurar a aplicação de bônus regional de 20% em sua...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

PGR dá aval para Bolsonaro fazer cirurgia no ombro

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou nesta sexta-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer favorável ao pedido...

Justiça mantém indenização a consumidora por irregularidade em leilão online

A 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) manteve decisão que anulou a...

Homem é condenado a mais de 21 anos por matar vítima com taco de sinuca em bar

O Tribunal do Júri da Comarca de Caxambu, no Sul do Estado, condenou Estefano Torres Figueiredo pelo homicídio de...

Anac estabelece restrições para transporte de power banks em aviões

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) atualizou as regras para o transporte de carregadores portáteis (power banks) em...