Voto de Cármen Lúcia pode definir alcance final das novas regras sobre verbas da magistratura

Voto de Cármen Lúcia pode definir alcance final das novas regras sobre verbas da magistratura

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve concluir nesta terça-feira (30) o julgamento dos embargos de declaração que tratam da aplicação das novas regras sobre verbas indenizatórias pagas a magistrados e membros do Ministério Público.

Até o momento, nove ministros já apresentaram seus votos, restando apenas a manifestação da ministra Cármen Lúcia.

A maioria da Corte já concordou em acolher parcialmente os embargos para esclarecer diversos pontos da decisão proferida em março, que restringiu o pagamento dos chamados “penduricalhos”.

Entre os esclarecimentos aprovados estão a possibilidade de indenização de férias, licenças-prêmio e plantões adquiridos antes do julgamento, a manutenção da Parcela de Valorização por Tempo de Atividade na Carreira (PVTAC) e sua coexistência com a Vantagem Pessoal Nominalmente Identificada (VPNI), desde que o mesmo período de atividade jurídica não seja utilizado para o cálculo das duas parcelas.

A principal divergência remanescente concentra-se no limite de 35% do subsídio para determinadas verbas indenizatórias. O voto conjunto dos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, acompanhado pelo presidente do STF, Edson Fachin, mantém essa limitação. Já Luiz Fux, Dias Toffoli, André Mendonça e Nunes Marques entendem que determinados pagamentos relativos a direitos anteriores ao julgamento não deveriam ficar sujeitos a esse teto.

Com a Corte funcionando atualmente com dez ministros, em razão da vacância de uma das cadeiras, o voto de Cármen Lúcia poderá formar maioria para uma das correntes ou resultar em empate exatamente sobre esse ponto.

Sob o aspecto processual, especialistas observam que, nos embargos de declaração, alterações ou esclarecimentos ao acórdão dependem da formação de maioria. Assim, caso determinado ponto não obtenha votos suficientes, sua solução dependerá da forma como o resultado será proclamado pelo Supremo, podendo permanecer a disciplina anteriormente fixada ou ser reconhecida a inexistência de maioria específica sobre aquele aspecto. A definição somente ocorrerá com a conclusão oficial do julgamento.

Embora o debate público tenha se concentrado nos chamados “penduricalhos”, o julgamento possui alcance muito mais amplo. A decisão vem redesenhando o modelo remuneratório da magistratura e do Ministério Público, estabelecendo critérios nacionais para diversas parcelas indenizatórias e servirá de base para a futura regulamentação a ser elaborada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Mais do que definir pagamentos específicos, o STF está consolidando parâmetros que deverão orientar, nos próximos anos, a política remuneratória das carreiras jurídicas de Estado, razão pela qual o julgamento é acompanhado com atenção não apenas pelas entidades de classe, mas também por órgãos de controle, estudiosos do Direito Público e pela sociedade.

Leia mais

STF impede União de cobrar PIS e Cofins sobre incentivos fiscais de ICMS concedidos pelos estados

Por 7 votos a 4, Supremo decidiu que créditos presumidos de ICMS não podem integrar a base das contribuições federais; Centro da Indústria do...

STF preserva regra que permite até 90% dos cargos comissionados do MPAM fora da carreira

Por maioria, Supremo rejeitou ação que questionava reserva mínima de 10% para servidores efetivos; Alexandre de Moraes e Edson Fachin ficaram vencidos. O Supremo Tribunal...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça condena casal que armazenava drogas em pousada de Pipa (RN)

Um casal foi condenado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico após uma ação policial...

Hospital pagará R$ 20 mil após negar internação a paciente com quadro de abortamento espontâneo

O 2° Juizado Especial Cível, Criminal e da Fazenda Pública da Comarca de Parnamirim (RN) condenou um hospital privado...

Faculdade de Teresina (PI) é condenada por fazer publicidade com professor jornalista

A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho fixou em  R$ 30 mil e R$ 40 mil o valor...

Dirigente sindical reintegrado por liminar perde estabilidade após Justiça confirmar dispensa

A Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) afastou o direito à estabilidade de um empregado da Libbs...