TJSP anula preventiva decretada em custódia virtual pela ausência de atos essenciais

TJSP anula preventiva decretada em custódia virtual pela ausência de atos essenciais

O descompasso entre as formas previstas para a realização da audiência de custódia, presidida pelo juiz de direito, e o ato praticado, poderá trazer consequências quando houver violação das regras descritas. Nesse contexto, o juiz Luiz Geraldo Lanfredi, Desembargador convocado no TJSP, anulou uma audiência feita por videoconferência sem que houvesse sido possibilitada a entrevista prévia com a Defensoria Pública e sem que o magistrado tivesse ligado a sua câmara.

Muito embora a audiência tenha sido realizada para ouvir dois homens presos em flagrante delito pela prática do crime de tráfico de drogas e o juiz houvesse convertido o flagrante em preventiva, a pedido do Ministério Púbico, as nulidades, após seu reconhecimento, tiveram o condão de proporcionar a soltura dos envolvidos por ordem judicial em segundo grau.

A audiência ocorreu de forma virtual na 43ª Circunscrição Judiciária de Casa Branca (SP). O juiz plantonista não mostrou seu rosto, disponibilizando apenas o fundo de tela com as insígnias do TJSP, sendo a audiência conduzida apenas pela voz do magistrado.

No que pese a DPE/SP, por seu defensor, haver pedido a entrevista prévia com os indiciados, para esclarecer os motivos, fundamentos e procedimentos da audiência, houve indeferimento, pelo magistrado, que se pautou pelo entendimento de que a Defensoria poderia tê-lo feito por iniciativa própria antes de ir a audiência. 

Sobreveio a impetração de habeas corpus. Em segundo grau, o desembargador considerou que o juiz deveria ter assegurado o atendimento prévio e reservado dos indiciados com a defensoria pública, sem a presença de policiais, o que, não sendo efetivado, retirou dos investigados o direito de serem informados de seus direitos, inclusive o de permanecer em silêncio.  Como a audiência era virtual, o Defensor não poderia ter entrado em contato virtualmente com os seus assistidos, arrematou a decisão, que reconheceu a nulidade, e expediu os alvarás de soltura.  

 

 

Leia mais

Interessados em Residência Jurídica da PGE-AM têm até 19 de junho para se inscrever

A Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM) segue com inscrições abertas até o dia 19 de junho para o XII Exame de Seleção do...

Artigos de defensores do Amazonas são destaque em livro nacional sobre justiça climática

A atuação da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) na promoção da justiça climática e na defesa de populações em situação de vulnerabilidade...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Nova lei torna crime o exercício ilegal da medicina veterinária

A Lei 15.425/26 estabelece detenção de seis meses a dois anos para quem exercer a profissão de médico-veterinário sem autorização...

Nova lei amplia transparência nos conselhos da infância e da adolescência

A Lei 15.426/26 estabelece regras de transparência, prestação de contas e deveres funcionais para membros dos Conselhos dos Direitos...

TRF3 autoriza cultivo de cannabis para tratamento de dores crônicas e ansiedade

A Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) garantiu a uma mulher com quadro de dores crônicas articulares e transtorno de ansiedade generalizada (TAG) o direito de...

Toffoli toma posse no TSE e diz que Justiça não decide eleição

O ministro Dias Toffoli tomou posse nesta terça-feira (9) no cargo de ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE),...