Mulher tem direito a união estável com falecido casado, mas de fato separado, diz Justiça

Mulher tem direito a união estável com falecido casado, mas de fato separado, diz Justiça

A inexistência de convivência de fato entre o falecido e seu cônjuge anterior, evidenciada apenas pela continuidade do vínculo formal sem subsistência de afeto ou comunhão de vida, legitima o reconhecimento da união estável com outra pessoa. A conclusão é reforçada por escritura pública em que o próprio falecido declarou a relação estável há anos, além da prova do nascimento de três filhos durante a convivência, e por outros elementos acerca de um vínculo público, contínuo, duradouro e revestido de afeto. Tais circunstâncias conferem à Justiça a plena convicção para declarar a união estável post mortem.

Com essa disposição, a Segunda Câmara Cível do Amazonas, no exame de um recurso, anulou uma sentença que havia reconhecido a união estável de uma pessoa ainda formalmente casada, mas separada de fato do cônjuge anterior há muitos anos.

A anulação ocorreu porque se constatou que o magistrado de primeira instância não havia analisado as razões apresentadas pela contestação da parte contrária, que alegava ser casada com o falecido. Entretanto, diante da anulação da sentença, o colegiado considerou que a causa estava madura para julgamento e, com base no conjunto probatório, concluiu pela possibilidade de reconhecer a união estável postulada. Assim a nulidade da sentença se deu por ausência de fundamentação, pois o pronunciamento judicial foi genérico, sem analisar os elementos probatórios apresentados pelas partes.

No decisão foi enfatizada a distinção entre concubinato e união estável, especialmente na hipótese de casais juridicamente casados, mas separados de fato. Segundo jurisprudência consolidada, o reconhecimento da união estável é perfeitamente válido se demonstrada a ruptura fática do casamento, diferenciando-se do mero concubinato, o qual não possui amparo legal.

No caso examinado, a parte autora logrou comprovar que, mesmo em vigência formal do casamento do falecido, a convivência marital entre eles era plena e excluía qualquer vínculo com a esposa anterior.  

No julgamento do recurso houve duas questões examinadas:  saber se a sentença de primeira instância esteve eivada de nulidade por ausência de fundamentação e analisar se os requisitos legais para o reconhecimento da união estável post mortem foram preenchidos.

Em razões de decidir, os desembargadores definiram que o caso evidenciava a nulidade da sentença por ausência de fundamentação, porquanto o pronunciamento judicial foi genérico, sem análise dos elementos probatórios ou sequer menção aos argumentos defensivos. Contudo, estiveram presentes no caso os requisitos legais para a configuração da união estável, com suporte em testemunhos e documentos.

Deliberou-se que a alegação da apelante sobre a inexistência de separação de fato não encontrava respaldo probatório nos autos, pois não foram apresentados elementos que demonstrassem a continuidade do vínculo matrimonial entre ela e o falecido. O número do processo é protegido por informações sensíveis. 

Processo XXXXX-93.XXXX. 8.04.XXXX 

Leia mais

Taxa quatro vezes acima da média do Bacen leva banco a devolver valores cobrados a maior no Amazonas

A cobrança de juros mensais mais de quatro vezes superiores à taxa média praticada no mercado financeiro levou a Justiça do Amazonas a reconhecer...

Débitos inscritos por cessão de crédito sem notificação formal do devedor são inexigíveis

Débitos inscritos em órgãos de proteção ao crédito, quando decorrentes de cessão, pressupõem notificação formal do devedor, sob pena de ineficácia da cobrança. Sentença da...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Bolsa de valores não é responsável por extravio de títulos de investidor

A 22ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve sentença da 35ª Vara Cível...

Justiça do DF mantém condenação por ofensas a professor universitário divulgadas no YouTube

A 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação de ex-aluno...

Justiça de Alagoas condena clínica odontológica por não prestar serviço contratado

A Clínica Odontológica Odonto Smiles deve pagar R$ 5 mil de indenização por danos morais a uma paciente que...

Técnica de enfermagem que acumulou função de maqueiro deve receber adicional de 20%

Uma técnica de enfermagem que assumiu função de maqueiro ao transportar pacientes terá direito a adicional de 20% sobre...