Barroso deixa o STF e abre disputa entre lealdade e representatividade na escolha de Lula

Barroso deixa o STF e abre disputa entre lealdade e representatividade na escolha de Lula

A aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso reacendeu uma disputa política e simbólica em torno da próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve definir o nome do sucessor após retornar da viagem à Itália e conversar pessoalmente com Barroso, mas aliados afirmam que o Planalto quer evitar que o vácuo de indefinição amplifique pressões de grupos interessados.

Favorito pela confiança

Nos bastidores do Judiciário, o chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, é apontado como favorito. A avaliação de ministros do STF é que Lula tende a repetir o padrão de escolhas anteriores — Cristiano Zanin e Flávio Dino —, priorizando nomes de confiança pessoal e lealdade política. Nos bastidores do STF, informações indicam que o presidente Lula chegou a sinalizar Messias como “o próximo da fila” para o Supremo logo após a posse de Dino.

O peso da política

Se Lula decidir contemplar o campo político, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) surge como principal alternativa. Amparado por apoio majoritário no Senado e por ministros influentes como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, Pacheco construiu relação próxima com o STF ao longo dos últimos anos — frequentando reuniões, mediando tensões e barrando pedidos de impeachment contra magistrados da Corte.

Outro nome mencionado é o do ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, que chegou a disputar internamente o espaço de Flávio Dino na última vaga aberta. Apesar de bom trânsito tanto no Senado quanto no Supremo, Dantas não figura entre os mais cotados desta vez.

Pressão por paridade de gênero

Entidades da sociedade civil e o próprio Barroso defendem que Lula aproveite a oportunidade para recompor o equilíbrio de gênero no Supremo. Desde a aposentadoria da ministra Rosa Weber, apenas Cármen Lúcia representa as mulheres na Corte. Grupos como o Fórum Justiça, a plataforma Justa e a Themis divulgaram recentemente uma lista com sete juristas mulheres aptas à vaga, reivindicando o cumprimento do compromisso de paridade assumido pelo Conselho Nacional de Justiça.

Apesar disso, aliados do presidente afirmam que a probabilidade de Lula optar por uma ministra é baixa. O argumento é que ele já contemplou mulheres em nomeações recentes para o STJ e o STM, o que reduziria a pressão interna por uma nova indicação feminina ao Supremo.

Terceira escolha e legado

Será a terceira indicação de Lula ao STF desde seu retorno ao Palácio do Planalto, o que lhe permitirá moldar uma parcela significativa da composição da Corte. A decisão colocará à prova se o presidente continuará privilegiando a lealdade pessoal — em linha com Zanin e Dino — ou se cederá à crescente demanda por representatividade e equilíbrio institucional no tribunal que mais simboliza o poder de interpretar a Constituição.

 
 

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