Não se concede Habeas Corpus com mera alegação de abuso da Polícia

Não se concede Habeas Corpus com mera alegação de abuso da Polícia

Não há que se falar em concessão de liberdade provisória em decorrência de abuso policial, vez que tal apuração exige procedimento próprio, com dilação probatória, não comportada pela estreita via do Habeas Corpus.

om essa fundamentação, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) negou o remédio constitucional a dois homens que foram autuados por roubo qualificado e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva pelo juízo da 2ª Vara Criminal de Araguari.

A defesa dos acusados requereu a revogação da preventiva, alegando suposta violência física e psicológica cometida contra eles pelos policiais que os prenderam. Porém, o desembargador relator Edison Feital Leite ponderou que o exame minucioso da prova é vedado no HC.

“A ilegalidade passível de justificar a impetração deve ser manifesta, limitando-se a matérias de direitos que não demandem incursão no acervo probatório”, acrescentou o relator.

Segundo Leite, o juízo de primeiro grau adotou as providências necessárias para apurar as possíveis ofensas e agressões cometidas pelos responsáveis pela captura dos acusados, “de maneira que eventual excesso praticado pelos agentes da lei será objeto de análise realizada pelos órgãos competentes em procedimento próprio, sendo inviável a concessão de liberdade provisória em decorrência de fato independente”.

A juíza que decretou a preventiva determinou a remessa de cópia do auto de prisão em flagrante delito e do expediente da audiência de custódia ao promotor de justiça responsável pelo controle externo da atividade policial para as providências que entender pertinentes. Ela também requisitou ao diretor do presídio da comarca o encaminhamento dos presos, no prazo de 24 horas, a exame de corpo de delito.

Quanto à decisão que converteu a prisão em flagrante em preventiva, o relator anotou que estão presentes os pressupostos da medida cautelar, como o fumus commissi delicti (fumaça da prática de um delito) e o periculum libertatis (risco decorrente da liberdade).

Conforme os autos, houve a apreensão de objetos roubados e de uma arma de fogo utilizada no crime com os acusados. Além disso, a prisão dos agentes é respaldada pela garantia da ordem pública, devido à “gravidade concreta da conduta”, pois eles agrediram as vítimas e cercearam a sua liberdade, demonstrando “potencial lesivo”.

Os desembargadores José Luiz de Moura Faleiros e Alberto Deodato Neto seguiram o voto do relator. Ao ratificar a preventiva, o colegiado descartou a sua eventual substituição pelas medidas cautelares previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal, por se revelaram “absolutamente insuficientes” no caso concreto.

1.0000.23.260733-3/000

Fonte Conjur

Leia mais

TSE mantém cassação de chapa do Podemos em Benjamin Constant por fraude à cota de gênero

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, negou pedido de tutela provisória formulado pelo vereador Marcos Thamy Ramos Salvador para suspender...

Requisito indispensável: sem notificação prévia, restrição por anuidade de conselho é indenizável

A ausência de notificação prévia para cobrança de anuidade impede a regular constituição do crédito e torna indevida a inscrição do profissional em cadastros...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Consumidor é vítima de golpe após vazamento de dados e será indenizado por plataforma de vendas online

Uma plataforma de vendas online foi condenada a indenizar um consumidor que foi vítima de um golpe e sofreu...

STM mantém condenação de suboficial da Marinha por assédio sexual contra cabo trans

O Superior Tribunal Militar (STM) manteve, por unanimidade, a condenação de um suboficial da Marinha do Brasil acusado de...

TRT-10 reconhece fraude em sucessão empresarial e condena sócios retirantes por dívida trabalhista

A Segunda Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) condenou dois sócios retirantes de uma empresa...

Justiça reconhece falha em procedimento médico e fixa indenização por danos morais

A 16ª Vara Cível da Comarca de Natal condenou uma instituição de saúde que presta serviços médicos na capital...