Habeas Corpus define o melhor interesse de criança no Superior Tribunal de Justiça

Habeas Corpus define o melhor interesse de criança no Superior Tribunal de Justiça

O casal M.F.S.F e esposa, ao saberem por informações de uma amiga em comum que a mãe da infante estava grávida e queria realizar um aborto, não permitiram o ato, sobrevindo o nascimento da criança com  a promessa cumprida de adotar  a “filha recém nascida” que lhes foi entregue desde a saída da maternidade, de então gozando da proteção que a lei assegura à infância. Os fatos desaguaram, ao depois, no Superior Tribunal de Justiça, com concessão de liminar, via habeas corpus. Foi Relator o Ministro Raul Araújo. 

 Posteriormente, os “detentores” da menor ajuizaram ação de adoção, narrando todo ocorrido perante o d. Juízo da 1ª Vara da Infância e Juventude de São Luis, Maranhão, com a surpresa: O juiz determinou a busca e apreensão e o acolhimento institucional da criança, que ainda pendia de cumprimento, estando a criança na iminência de ser acolhida”. Contra a decisão, os “pais” interpuseram agravo de instrumento no Tribunal do Maranhão, pedindo a suspensão da liminar, que foi negada. Firmou-se, assim, a manutenção da decisão interlocutória que determinou o acolhimento institucional da criança por confirmação da Desembargadora, monocraticamente.

A Defensoria Púbica do Maranhão, com o exame dos fatos, entendeu ocorrer constrangimento ao direito de liberdade da criança e impetrou habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça. O STJ afastou a Súmula 691 do STF, que veda o uso de habeas corpus contra decisão monocrática de relator e “determinou que a paciente M. L. S e S, seja mantida sob a guarda do casal M. F. S F, até o julgamento definitivo do writ constitucional”.

“Apesar de a impetração voltar-se contra decisão unipessoal proferida no Tribunal de origem, é necessário excepcionar a Súmula 691/STF, tendo em vista ser possível a superação do referido óbice notadamente em casos de flagrante ilegalidade, ou quando indispensável para garantir a efetividade da prestação jurisdicional, como ocorre no presente caso, no qual se busca preservar a integridade física e psicológica de criança de tenra idade, na iminência de ser afastada das pessoas com quem vive desde o nascimento e submetida a acolhimento institucional, mediante ordem de busca e apreensão”, firmou o julgado. 

Para o STJ, o acolhimento institucional, como determinado ao início, constituir-se-ia em ofensa ao melhor interesse da criança, e, salvo risco à integridade física ou psíquica do menor, não é de seu melhor interesse o acolhimento institucional em detrimento do familiar. “Na hipótese, a paciente, atualmente com menos de dois anos de vida, foi entregue pela mãe biológica, logo após o seu nascimento, ao casal interessado em realizar a adoção formal da criança, cujo procedimento que está em andamento já foi iniciado, configurando situação diversa daquela denominada ‘adoção à brasileira’. Ordem concedida para afastar a medida de busca e apreensão da menor. 

Habeas Corpus nº 554.557-MA

 

Leia mais

TRE/AM: Irregularidade em prestação de contas não basta para configurar falsidade eleitoral

Tribunal manteve absolvição de acusados e afirmou que o crime exige prova de intenção específica de alterar a verdade para fins eleitorais. Irregularidades formais ou...

Transporte de eleitores sem prova de cooptação de voto não sustenta condenação, decide TRE-AM

Corte absolveu candidato e afirmou que a ocorrência do transporte, mesmo com material de campanha na embarcação, não basta para caracterizar o crime eleitoral. O...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça mantém cassação de aposentadoria de policial civil condenado por crime na ativa

A 3ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a cassação da...

Tutor é condenado por maus-tratos contra égua e deverá pagar indenização por dano moral

A Juíza Eugênia Amábilis Gregorius, da 1ª Vara Cível da Comarca de Caxias do Sul (RS), condenou o tutor...

Empresa omissa indenizará trabalhadora trans por reiterado tratamento no masculino pela gerência

TRT entendeu que insistência após reclamação deixa de ser mero erro de linguagem e pode configurar transfobia no ambiente...

Clube de futebol e Estado de São Paulo indenizarão torcedor atingido em ação policial após jogo

A 6ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 1ª Vara da...