Interesses indígenas impõem que ação possessória seja apreciada na justiça federal

Interesses indígenas impõem que ação possessória seja apreciada na justiça federal

A alegação de existência na área em disputa de comunidade indígena enseja a competência da justiça federal. A justiça de Manaus, por meio de decisão do juiz Manuel Amaro de Lima, já havia reconhecido a turbação possessória cometida pelos réus, para, a pedido do espólio de Jaime Alves Cordeiro, se fazer cumprir o mandado de manutenção de posse do autor de imóvel localizado na Estrada do Tarumã, Km 13, em Manaus. Porém, incidente processual reconheceu, em agravo da Comunidade Indígena Tarumã, que referidas terras eram marcadas por disputas da comunidade indígena, com declínio de competência à justiça federal. Foi Relator Abraham Peixoto Campos Filho. 

A incompetência do Tribunal de Justiça do Amazonas para processar e julgar o feito se deu na razão de que, pelo menos em tese, havia interesse da Comunidade Wainar Parque- Parque das Mulheres Indígenas, que ocuparia a área alvo do litígio por mais de 10 anos e utilizada para a cerimônias e rituais sagrados.

“A competências será da Justiça Federal toda vez que a questão versar acerca de disputa sobre direitos indígenas, incluindo as matérias referentes à organização social dos índios, seus costumes, línguas, crenças e tradições, bem como os direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam”, editou o acordão. 

Sendo o imóvel de disputa localizado em comunidade indígena ou em que conste a autodeclaração dos comunitários como indígenas ou alegada interferência nos seus costumes, crenças e tradições em decurso de ação possessória, importa o declínio de competência do feito à Justiça Federal. A constatação da higidez das declarações firmadas pelas partes e a consequente persistência de competência de natureza absoluta é também da justiça federal. 

O julgado trouxe em comento a Súmula 150 do Superior Tribunal de Justiça: Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas. Noutro giro, a incompetência de natureza absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição.

Leia a ementa:

Agravo Interno Cível nº 0006452-09.2021.8.04.0000 Agravantes : Espólio de Jaime Alves Cordeiro. Relator : Des. Abraham Peixoto Campos Filho. EMENTA: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE  INSTRUMENTO. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. COMUNIDADE INDÍGENA. AUTO DECLARAÇÃO. ART. 3.º, I, DA LEI N.º 6.001/73. AFERIÇÃO DE INTERESSE DA UNIÃO E DA FUNAI. ART. 109, XI, DA CRFB. SÚMULA 150/STJ. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.

Leia mais

Sem prova de tratamento indispensável, cancelamento de plano coletivo não admite reativação

Plano coletivo pode ser cancelado sem autorização do consumidor, decide Justiça do Amazonas. A rescisão unilateral de contrato coletivo de plano de saúde é válida...

Ser chamado de “burro” em conversa de WhatsApp não gera dano moral

A responsabilidade civil pressupõe a presença concomitante de conduta ilícita, dano e nexo causal, conforme previsto em lei. Segundo a sentença, no caso concreto,...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça mantém indenização à vítima de violência doméstica por perda de bebê

A 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de...

Ex-vendedora será indenizada por críticas à aparência em loja de luxo

A Justiça do Trabalho condenou uma loja da capital a pagar indenização de R$ 3 mil por danos morais a...

Justiça do Paraná reduz pena de homem que ateou fogo na companheira

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná acolheu o pedido da defesa de José Rodrigo Bandura e mudou...

Sem prova de tratamento indispensável, cancelamento de plano coletivo não admite reativação

Plano coletivo pode ser cancelado sem autorização do consumidor, decide Justiça do Amazonas. A rescisão unilateral de contrato coletivo de...