Delegado da Polícia Federal Ricardo Saadi comandará o Coaf, confirma Banco Central

Delegado da Polícia Federal Ricardo Saadi comandará o Coaf, confirma Banco Central

O Banco Central do Brasil confirmou, por meio de comunicado oficial, a nomeação do delegado da Polícia Federal Ricardo Saadi para a presidência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), com posse prevista para o dia 1º de julho de 2025. Saadi sucederá o servidor de carreira Ricardo Liáo, que ocupa o cargo desde agosto de 2019.

A nomeação é ato de competência do presidente do Banco Central, nos termos do art. 1º, §3º, da Lei nº 13.974/2020, que reorganizou o Coaf como unidade integrante da estrutura do Banco Central, com autonomia técnica e operacional. A escolha do novo presidente, no entanto, passou por intenso processo de articulação política, tendo enfrentado resistências no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme apurado.

O delegado Saadi possui histórico funcional relacionado ao enfrentamento da criminalidade organizada e aos crimes financeiros, incluindo passagens pela Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e atuação na diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF. Ele já integrou o próprio Coaf como conselheiro em gestões anteriores.

Em nota pública, o Banco Central destacou a “larga experiência” de Saad, afirmando que sua trajetória “contribuirá para a missão do Coaf de produzir inteligência financeira e supervisionar setores econômicos para proteção da sociedade contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo e da proliferação de armas de destruição em massa”.

 O cenário político  influenciou a tramitação da nomeação. O delegado chegou a ser considerado fora das possibilidades, mas voltou a ganhar força após manifestações de apoio interno na Polícia Federal e diante da demanda crescente por reforço no combate ao crime organizado.  Atualmente, o Coaf está vinculado à estrutura do Banco Central, sob presidência de Gabriel Galípolo. A nomeação do novo presidente se dá por portaria da autoridade monetária, sem necessidade de sabatina, mas considerando o impacto político da escolha.

Em contexto recente, o Coaf foi alvo de críticas públicas da Polícia Federal, após o primeiro turno das eleições municipais de 2024. Na ocasião, o diretor-geral da corporação acusou o conselho de omitir comunicados sobre movimentações financeiras suspeitas no montante de R$ 50 milhões, possivelmente vinculadas à compra de votos. O Coaf, por sua vez, rebateu, afirmando que atuou de forma coordenada com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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