Sendo a prisão decretada não apenas por falta de localização de endereço, descabe habeas corpus

Sendo a prisão decretada não apenas por falta de localização de endereço, descabe habeas corpus

O Desembargador Henrique Veiga Lima, do Tribunal de Justiça do Amazonas, concluiu pela impertinência de um pedido de soltura, por meio de habeas corpus, porque a prisão cautelar foi fundamentada não apenas porque o réu teve contra si o esgotamento de todas as tentativas de ter seu paradeiro localizado, mas também pela motivação de que em liberdade o acusado representaria um perigo a instrução criminal e para a própria aplicação da lei penal. 

Com ação penal movida pelo crime de tráfico de entorpecentes, o acusado foi beneficiado pela concessão de medidas cautelares diversas da prisão e outras condições que não foram cumpridas. A situação se agravou quando, citado para o processo e para ofertar sua defesa prévia, deixou de comparecer por não ser localizado, e não ofertou nenhuma justificativa. O magistrado, na origem processual, decretou a prisão preventiva do réu. 

Após pedidos para responder ao processo em liberdade, o juiz Jean Carlos Pimentel dos Santos, da Vecute, denegou o benefício e fundamentou que restou frustrada a citação pessoal do réu, que não foi localizado no endereço constante nos autos, com a ausência reiterada  mesmo após a citação por meio de edital, além de não constituir advogado, arrematando que estavam presentes os requisitos da prisão cautelar e assim, manteve a prisão, fundamentadamente. 

A realidade fático jurídica  que envolveu a questão afastou a incidência do uso do remédio heroico do habeas corpus porque o suspeito teve sua prisão preventiva revigorada, pois não cumpriu com as imposições decorrentes da liberdade compromissada com as medidas cautelares diversas da prisão e não apenas porque não foi encontrado para ser localizado, deliberou o Colegiado. 

HC nº 4000430-90.2023.8.04.0000

Classe/Assunto: Habeas Corpus Criminal / Tráfico de Drogas e Condutas Afins
Relator(a): Henrique Veiga Lima
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Primeira Câmara Criminal

Ementa: PROCESSO PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. DECRETAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA POR DESCUMPRIMENTO DE MEDIDAS CAUTELARES. ARGUMENTAÇÃO DE QUE NÃO FORAM ESGOTADOS OS MEIOS PARA CITAÇÃO. NÃO VERIFICADA. PACIENTE QUE NÃO INFORMOU MUDANÇA DE ENDEREÇO AO JUÍZO. PRISÃO PREVENTIVA FUNDADA NA GRAVIDADE DO DELITO E NA NECESSIDADE DE SALVAGUARDA DA INSTRUÇÃO. PRESENÇA DAS HIPÓTESES AUTORIZADORAS DO ARTIGO 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. ORDEM DENEGADA. 1. Ao revés do que pontua a Defesa, constata-se que o Juízo natural visando dar o prosseguimento no Feito, esgotou todas as tentativas de localizar o paradeiro do paciente, tanto o é que os dois mandados têm endereços diversos e houve a correta publicação de edital. 2. A prisão cautelar do paciente revela-se correta e fundamentada, tendo em vista que a medida se justifica satisfazendo o fumus comissi delicti e o periculum libertatis concretizado na conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da Lei Penal, uma vez que o paciente, apesar de beneficiado anteriormente pela liberdade provisória, não foi localizado para oferecer a defesa prévia. 3. É dever de todo indivíduo que está sendo processado criminalmente fornecer seu endereço atualizado nos autos, entretanto, no caso em apreço, o fato do paciente não ter sido encontrado no local informado, mudando-se sem comunicar ao Juízo, corrobora com a necessidade de se recrudescer a proteção cautelar à efetividade da aplicação da Lei. 4. A segregação cautelar, no caso dos autos, encontra-se devidamente fundamentada, estando evidenciado pela falta de zelo no cumprimento das cautelares que nenhuma das medidas do artigo 319 do Código de Processo Penal mostra-se suficiente e eficaz. 5. Ordem denegada

 

 

Leia mais

Justiça revoga entraves contra empréstimo de R$ 1,46 bilhão do Amazonas

O juiz Ricardo Augusto Campolina de Sales, da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, revogou todas as decisões liminares que ainda impunham restrições ao...

Dívida no Serasa Limpa Nome não equivale à negativação e dispensa notificação prévia

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) decidiu que a simples inclusão de uma dívida na plataforma...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Plano de saúde deve custear internação domiciliar indicada por médicos

A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação de entidade...

Justiça do DF condena homem a 83 anos de prisão por tentar matar companheira e filhos

O Tribunal do Júri de Ceilândia condenou, nessa quinta-feira, 8/10, o réu João Paulo de Oliveira Costa Pereira a pena...

TJDFT mantém condenação de concessionária de cemitério por furto de motocicleta no local

A 7ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve condenação da Campo...

Conversas de cunho pessoal e sexual em plataforma da empresa gera justa causa a trabalhadora

A 5ª Vara do Trabalho de Osasco-SP manteve justa causa aplicada a trabalhadora que utilizou, de forma reiterada, ferramenta...