União estável e concubinato são temas distintos na visão do Superior Tribunal de Justiça

União estável e concubinato são temas distintos na visão do Superior Tribunal de Justiça

Foto: Freepik

Mesmo casada a pessoa poderá ter o reconhecimento jurídico da união estável, que é um fato, mas que pode exigir uma homologação do Poder Judiciário para que alguns direitos, decorrentes dessa união, possam se refletir na realidade, à exemplo de habilitação para a tomada de um benefício previdenciário. O STJ já pacificou o entendimento de que a existência do casamento válido não prejudica o reconhecimento de uma união estável, mas esse tema deve ser compreendido dentro de um contexto fático, ou seja, o casal, oficialmente unido em matrimônio, deva estar de fato separado. Desta maneira, se evidencia a distinção entre união estável e concubinato. 

No concubinato os entrelaçados nessa união são na realidade amantes. Tanto é que o Código Civil dispõe que as relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos de casar, se constituem em concubinato, conforme descrito no artigo 1.727 do estatuto civil.

No seu turno, o legislador sacramenta que a união estável não se constituirá se houver impedimentos legais, dentre os quais os de que a pessoa casada não pode se casar. Ademais, contrair novo matrimônio, sendo casado, é crime de bigamia. O legislador pune tanto o agente casado que contrai novo casamento quanto o cônjuge solteiro que contrai núpcias com a pessoa casada, evidentemente, se ciente do estado jurídico do outro contraente. 

Dessa forma, há uma relação de clandestinidade no concubinato que retira o caráter de unidade familiar, pois a relação, em sua origem, e dentro do contexto indicado, tem seu incentivo ao casamento vedado pelo próprio ordenamento jurídico. A união estável, diversamente, admite essa conversão não havendo impedimentos e se distinguindo do ‘amor prazeroso’ por se revelar, publicamente, por meio de uma união duradoura, entre pessoas livres e desimpedidas com o fim de constituir uma família. 

E de tudo decorre situações jurídicas distintas, à exemplos de que a concubina não pode receber doações do amante adúltero. O objetivo é não desfalcar o patrimônio do casal comprometido com o matrimônio. A concubina não pode, também, ser beneficiária de contrato de seguro de vida. Não se pode olvidar que há vedação à conversão dessa ‘relação’ em casamento. 

A concubina não tem direito à indenização por morte do amante em desastre ou acidente, não pode pedir ressarcimento na hipótese de o amante ter sido vítima de homicídio, não tem direito a ajuda de custo na hipótese de remoção de o ‘amante’ ser servidor público. Enfim, há várias distinções entre os dois institutos jurídicos. O tema foi abordado no Recurso Especial nº 1.348.458-MG, e teve como relatora a Ministra Nancy Andrighi, do STJ, em que também se abordou a busca de felicidade, afastando do contexto do direito de família, a incisão de relacionamentos afetivos paralelos. 

Por Amazonas Direito

Leia mais

Pensão por morte pode retroagir ao óbito mesmo com pedido fora do prazo legal, decide TRF1

Sob relatoria da juíza federal convocada Jaqueline Conesuque Gurgel do Amaral, colegiado considerou que a demora da mãe não poderia prejudicar os direitos dos...

PGE-AM recebe currículos para estágio administrativo até sexta-feira (30)

A Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas (PGE-AM) recebe até esta sexta-feira (30) currículos para oportunidades de estágio em setores administrativos. Podem participar estudantes de...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Justiça valida notificação enviada a endereço informado pelo devedor

A 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu que o envio...

TJ-SP mantém exclusão de sócio que dificultou atividade de empresa imobiliária

A 1ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 4ª Vara...

Condenado por lesão corporal contra mulher fica inelegível, decide TSE

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta quinta-feira (29), que a condenação colegiada por lesão corporal contra...

Vorcaro diz que não fez nada errado e pede voto de confiança

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) no dia 15 de outubro e negou ter cometido...