Servidor pode ser realocado sem processo administrativo, por interesse público, diz TJ-Amazonas

Servidor pode ser realocado sem processo administrativo, por interesse público, diz TJ-Amazonas

O ato de disponibilidade de um servidor público, que ocorre quando a Administração Pública decide que ele ficará afastado de sua função, sendo realocado em outra, é algo que está dentro do poder de escolha da Administração, ou seja, é um ato discricionário. Isso significa que a Administração pode decidir com base no interesse público, podendo alocar o servidor em outra repartição, pois ao administrador, nessa hipótese, é concedida uma prerrogativa discricionária. 

Com essa disposição decisão da Desembargadora Luíza Cristina Nascimento Marques, do TJAM, negou um recurso em Mandado de Segurança contra o Centro de Mídias de Educação do Amazonas – Cemeam. Na origem o autor, servidor público, pediu que fosse considerado abusivo o ato que determinou sua relotação em outra unidade da administração. 

Assim,pediu que fosse reintegrado aos quadros do Centro de Mídias de Educação do Amazonas (CEMEAM), em razão da evidente ilegalidade do ato impugnado. Defendeu que a sua  destituição violou o Estatuto do Magistério, que exige um procedimento administrativo formal para penalidades de destituição e que o ato foi ilegal e desrespeitoso.

Ao sentenciar, o Juízo da Vara da Fazenda Pública definiu que o ato de realocação de servidor público, em princípio, se reveste de legalidade, pois está inserido no Poder Discricionário da Administração Pública.

Definiu, também, que a realocação de um servidor de um setor para outro, por não se configurar como uma penalidade, não demanda a instauração de processo administrativo que assegure os direitos ao contraditório e a ampla defesa, como alegado pelo servidor. O autor recorreu. 

O Tribunal de Justiça confirmou que a realocação de um servidor de um setor para outro, por não se configurar como penalidade, não demanda a instauração de processo administrativo e que, por ser uma decisão discricionária, o Judiciário só pode interferir se ficar claro que houve ilegalidade (uma violação da lei) ou abuso de poder (quando a decisão é injusta ou desproporcional), hipótese que, em concreto, não ocorrera. 

Além disso, quando a decisão é tomada por interesse da Administração — por exemplo, para reorganizar setores ou melhorar o funcionamento dos serviços públicos —, não é necessário abrir um processo administrativo nem garantir o contraditório ou a ampla defesa ao servidor. Isso acontece porque, nesse caso, o servidor não está sendo punido, mas apenas sendo realocado ou afastado temporariamente conforme as necessidades do serviço público.

Assim, não existe um direito automático do servidor à permanência em determinada função pública, sendo possível que seja alocado em outra função, com base na  prerrogativa discricionária da administração pública. 


Processo n. 0640913-81.2023.8.04.0001  
Classe/Assunto: Apelação Cível / Defeito, nulidade ou anulação
Relator(a): Luiza Cristina Nascimento da Costa Marques
Comarca: Manaus
Órgão julgador: Câmaras Reunidas
Data do julgamento: 04/12/2024

 

 

Leia mais

STJ volta a afastar regime fechado automático em condenação por tráfico de drogas

O caso envolveu um homem condenado por tráfico interestadual após ser preso no aeroporto de Guarulhos, em circunstâncias relacionadas ao recebimento de cerca de...

Condição de padrasto e convívio doméstico não se confundem e podem agravar a pena no estupro

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmou que a condição de padrasto e o convívio doméstico constituem circunstâncias distintas e podem agravar a pena...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Conselho Nacional de Educação atualiza regras do ensino integral

O Conselho Nacional de Educação (CNE) alterou diretrizes do ensino integral na educação básica e definiu prazo até 31 de outubro...

Justiça do Rio mantém condenação de acusado de matar contraventor

Os desembargadores da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) negaram os...

Justiça condena mulher a 66 anos de prisão por envenenamento com ovo de Páscoa

A 3ª Vara Criminal da Comarca de Imperatriz, no Maranhão, condenou Jordélia Pereira Barbosa pelos crimes de duplo homicídio...

CNJ reforça agenda de transparência remuneratória e amplia instrumentos de controle no Judiciário

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, afirmou, durante...