Suspensão do fornecimento de energia deve ser notificado ao consumidor na forma regular

Suspensão do fornecimento de energia deve ser notificado ao consumidor na forma regular

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, em recurso especial interposto por uma Cooperativa de Energia do Rio Grande do Sul que a notificação de suspensão do fornecimento de energia pela empresa no caso concreto, não atendeu aos requisitos estabelecidos pela Resolução nº 414/2010 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Foi Relator o Ministro Paulo Sérgio Domingues. 

A cooperativa comunicou um desligamento programado por meio de emissoras de rádio local, procedimento que foi considerado insuficiente para cumprir as normas da ANEEL, culminando na responsabilização da cooperativa por danos materiais sofridos pelos consumdores. 

Contexto e fundamento do caso
O recurso especial, interposto com base no art. 105, inciso III, disposições “a” e “c”, da Constituição Federal, foi proposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, que atribuiu a responsabilidade objetiva da cooperativa pelos prejuízos causados ​​aos pequenos produtores rurais em decorrência da interrupção do fornecimento de energia elétrica sem o aviso adequado. 

O TJRS entendeu que a responsabilidade independe de culpa, bastando a comprovação do prejuízo e do nexo de causalidade entre a ação (ou omissão) da cooperativa e o dano, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição Federal, combinado com os arts. 14 e 22 do Código de Defesa do Consumidor. 

A decisão também esclareceu que, em julgamento anterior (REsp 1.270.339/SC), a notificação via rádio havia sido aceita, mas em contexto normativo distinto, onde um regulamento vigente não especificava a forma de comunicação como faz a Resolução 414/2010.

Além disso, o Tribunal salientou que a referida resolução não pode ser objeto de análise em sede de recurso especial, por não ser equiparada ao tratado ou lei federal para os fins do art. 105, inciso III, alínea “a”,da Constituição Federal. 

Consequências da decisão e responsabilização
No caso concreto, foram mantidas as imposições à COPREL  quanto ao pagamento de indenização por danos materiais aos autores, que perderam aproximadamente 300 litros de leite devido à interrupção de energia. A indenização deverá ser corrigida monetariamente pelo IGP-M a partir dos dados do prejuízo, com juros de 1% ao mês contados a partir da citação. 

Por outro lado, o STJ negou o pedido de indenização por danos morais, uma vez que o restabelecimento do serviço ocorreu em cerca de 12 horas, período inferior às 48 horas determinadas pela Resolução 414/2010. O Tribunal entendeu que a interrupção temporária, nesse contexto, não foi suficiente para gerar sofrimento emocional significativo que justificasse reparação por danos a direitos de personalidade. 

Considerações finais
Essa decisão do STJ reforça a aplicação estrita das normas regulatórias determinantes pela ANEEL, reiterando que as cooperativas de energia elétrica devem seguir rigidamente os procedimentos de notificação previstos, sob pena de serem responsabilizadas pelos prejuízos decorrentes da falta de informação adequada aos consumidores.  

RECURSO ESPECIAL Nº 1812140 – RS (2019/0123748-3)  RELATOR: MINISTRO PAULO SÉRGIO DOMINGUES  /  RECORRENTE : COPREL COOPERATIVA DE ENERGIA

Leia mais

INSS não pode somar Bolsa Família como renda para negar BPC a menor com deficiência

Justiça considerou que norma administrativa não pode restringir garantia legal e determinou a implantação do benefício. A Justiça Federal no Amazonas afastou a aplicação de...

STF impede União de cobrar PIS e Cofins sobre incentivos fiscais de ICMS concedidos pelos estados

Por 7 votos a 4, Supremo decidiu que créditos presumidos de ICMS não podem integrar a base das contribuições federais; Centro da Indústria do...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

INSS não pode somar Bolsa Família como renda para negar BPC a menor com deficiência

Justiça considerou que norma administrativa não pode restringir garantia legal e determinou a implantação do benefício. A Justiça Federal no...

Justiça mantém punição a motorista da Uber que utilizou cadastro de terceiro

Justiça do Trabalho no Ceará reconheceu a regularidade da desativação de um motorista da Uber e negou indenização por...

Defesa quer que Mendonça analise soltura de Daniel Vorcaro

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro enviou nesta quinta-feira (8) um documento ao Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar...

Perseguida e discriminada após comunicar gestação de risco, vendedora deve ser indenizada

A 3ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-RS) condenou uma loja de artigos esportivos ao...