Justiça do Amazonas aumenta para R$ 200 mil compensação à vítima de erro médico em parto

Justiça do Amazonas aumenta para R$ 200 mil compensação à vítima de erro médico em parto

Na hipótese de dano gerado em decorrência de falha no atendimento médico, tem-se que a responsabilidade do hospital  ostenta natureza subjetiva, na medida em que se faz necessário perquirir se os profissionais de saúde destacados para a prestação do serviço deram causa ao evento danoso e se este não adveio de condições próprias do paciente, mormente porque se trata obrigação de meio, e não de resultado

Decisão relatada pela Desembargadora Maria do Perpétuo Socorro Guedes Moura, do TJAM, reafirmou a procedência de uma condenação contra o Estado do Amazonas por erro médico em unidade hospitalar da rede pública e majorou em R$ 100 mil os danos causados à mãe de uma criança vítima de negligência médica. 

Para a menor, a indenização foi fixada em R$ 200 mil, a título de danos morais, além de uma pensão mensal vitalícia definida em 03 salários mínimos mensais, devido às sequelas decorrentes de males que tiveram como causa a ausência do exigido monitoramento clínico. 

Os Desembargadores concluíram que a menor, desde seu nascimento até a morte física, sofrerá com as consequências oriundas da má prestação de serviço do ente público, e jamais poderá desfrutar em sua plenitude de atos físicos e psíquicos característicos e essenciais  de cada fase de desenvolvimento da vida humana, aí incluindo a infância, adolescência, idade adulta e velhice, razão de ser do atendimento de pedido de indenização majorada formulado pelos autores do recurso. 

“É razoável a compensação financeira ser majorada de R$ 30 mil para R$ 100 mil à autora-mãe e R$ 200 mil para a menor, por se tratar de prejuízo imutável imputado exclusivamente ao  Estado, que por ação/omissão ofendeu diretamente o próprio âmago do ser humano, o direito de se sentir bela, de ser criança, de sonhar com o futuro e com o próprio direito à dignidade”, escreveu a Relatora, com a concordância dos demais Juízes.

No caso restou comprovado por perícia médica e outros elementos de prova que a menor foi vítima de paralisia cerebral e epilepsia, em razão do prolongamento de parto realizado na Maternidade Instituto da Mulher Dona Lindú, integrante da estrutura do Estado do Amazonas.

Como consequência, a menor sofreu distúrbios na fala, ficou sem habilidades de ordem cognitiva, além de possuir estrabismo convergente, sequelas oriundas da  falta de oxigenação no cérebro sofrida pelo prolongamento de parto, revelada pela falta de monitoramento dos profissionais ante a asfixia perinatal. 

Processo: 0626277-57.2016.8.04.0001 

Data do julgamento: 05/08/2024

Data de publicação: 06/08/2024

Leia mais

Cármen Lúcia aponta questionamento tardio da defesa no Caso Fred e rejeita recurso de condenados

Ministra destaca intervalo de 12 anos sem contestação das irregularidades da instrução; decisão mantém penas de 33 anos e sete meses de prisão para...

STF barra pedido de aluguel social para famílias removidas pela Prefeitura de Manaus

Nunes Marques considera inadequada a via utilizada pela Defensoria e entende que ocupação recente não está abrangida pelas medidas invocadas na ADPF 828. O ministro...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Fachin homologa delação de investigado no caso Master

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira (6) homologar a delação premiada do...

Justiça Federal rejeita ação de improbidade contra Bolsonaro

A Justiça Federal decidiu rejeitar na quinta-feira (5) uma ação de improbidade administrativa protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF)...

Justiça Eleitoral terá atendimento remoto em Libras

Pessoas surdas ou com deficiência auditiva poderão contar com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) durante o atendimento...

Advogada é condenada a retirar publicação nas redes sociais que incentivava demissões por convicção política

A 1ª Vara do Trabalho de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, determinou que uma advogada retire de suas redes...