Recuperação de consumo irregular condena Águas de Manaus a indenizar em R$ 4 mil

Recuperação de consumo irregular condena Águas de Manaus a indenizar em R$ 4 mil

No caso examinado a Águas de Manaus foi condenada ao pagamento de R$ 4.000,00, a título de compensação por danos morais. O colegiado de Juízes também determinou que a empresa devolva parcelas pagas sob pena de astreintes ou multa pelo descumprimento da decisão. 

A concessionária de água e esgoto deve assumir possíves falhas nos serviços, sendo responsável  por eventuais problemas causados ​​aos usuários. Embora a concessionária possa monitorar e garantir o abastecimento de um produto essencial, essa função deve ser realizada com transparência e respeito aos direitos do cliente.Cobranças irregulares impõem, por consequência, a reparação dos erros administrativos que provoquem prejuízos.

O consumidor tem o direito de entender e contestar ações que impactem o fornecimento de água, um serviço essencial, sem que, para tanto,  seja alvo de cobranças injustas ou cortes indevidos.

Com voto do Juiz Moacir Pereira Batista, a 3ª Turma Recursal do TJAM,  decidiu manter a responsabilidade civil da Águas de Manaus,  por práticas abusivas e cobrança indevida contra um consumidor.

Segundo a decisão de Segunda Instância, a empresa efetuou uma cobrança elevada e ameaçou suspender o fornecimento de água sem dar ao cliente uma chance de defesa, configurando-se a prática abusiva. 

A questão central envolveu valores de conta de água acima da média histórica do usuário dos serviços, o que permitiu concluiur, segundo a decisão do colegiado de juízes, por uma falha no serviço oferecido. Isso porque a empresa efetuou cobranças de recuperação de consumo sem obedecer aos parâmetros normativos exigidos para o procedimento administrativo imposto ao consumidor. 

A empresa, ao invés de esclarecer o motivo do aumento ou revisar o procedimento, optou por cobrar a dívida.  De acordo com o julgamento, a conduta da concessionária não respeitou direitos fundamentais por violar o contraditório  e a ampla defesa do cliente, princípios básicos nas relações de consumo. A prática ilícita gerou consequências que impuseram a declaração do ato ilicito praticado pela concesionária.   

A decisão cita o artigo 22 do CDC, que exige que os fornecedores prestem serviços adequados, eficientes e seguros. A Turma Recursal avaliou que a empresa, ao ameaçar o corte no abastecimento de água, agiu de maneira abusiva e contrária ao artigo 51 do CDC, que veda cobranças excessivas e desvantajosas ao consumidor.

De acordo com o entendimento da Turma Recursal de Juízes, a prática comprometeu o direito do consumidor a uma relação de consumo equilibrado.

Além disso, a decisão foi fundamentada na “teoria do risco do empreendimento”, defendida pelo renomado jurista Sérgio Cavalieri Filho, segundo a qual empresas que atuam no mercado de consumo têm o dever de responder por eventuais falhas, independentemente de culpa.

Esse entendimento visa proteger o consumidor, especialmente em situações onde o fornecedor exerce poder econômico sobre os seus usuários, que estão em situação de vulnerabilidade. 

A sentença não apenas declara a inexistência da dívida contestada, como também isenta o consumidor das cobranças indevidas. A Turma Recursal negou o recurso da empresa e determinou que esta assuma com os custos processuais e honorários advocatícios, calculados sobre o valor da causa na forma lançada pelo autor. 

 Na hipótese, se concluiu que houve cobrança ilegal, com violação de deveres, em especial   o de que o  fornecedor deve demonstrar claramente o consumo real do usuário, sem inovar com cobranças irregulares de recuperação de consumo.

Processo n. 0561321-85.2023.8.04.0001  
Classe/Assunto: Recurso Inominado Cível / Indenização por Dano Material
Relator(a): Moacir Pereira Batista
Comarca: Manaus
Órgão julgador: 3ª Turma Recursal

Leia mais

Lucro presumido não deve servir de base para cobrança maior de IRPJ e CSLL contra empresa

A Justiça Federal no Amazonas afastou a cobrança do acréscimo de 10% sobre os percentuais de presunção utilizados no cálculo do Imposto de Renda...

Desligamento de estudante não pode ser rediscutido após decisão definitiva da Justiça

Justiça impede nova discussão sobre jubilamento de estudante de Medicina ao reconhecer que o mesmo caso já havia sido julgado definitivamente em outra ação...

Mais Lidas

Justiça do Amazonas garante o direito de mulher permanecer com o nome de casada após divórcio

O desembargador Flávio Humberto Pascarelli, da 3ª Câmara Cível...

Bemol é condenada por venda de mercadoria com vícios ocultos em Manaus

O Juiz George Hamilton Lins Barroso, da 22ª Vara...

Destaques

Últimas

Governo avalia combate a supersalários em pacote fiscal para 2027

Medidas em estudo incluem revisão de penduricalhos e mudanças para assegurar o cumprimento do centro da meta fiscal O Ministério...

Lei que reduz penas do 8 de Janeiro aguarda julgamento há quase seis meses

Alexandre de Moraes relata ações contra a norma no STF; aplicação dos benefícios em execuções penais foi suspensa em...

Justiça condena homem a mais de 21 anos de prisão por homicídio motivado por som alto

A Justiça do Tocantins condenou um homem a 21 anos e nove meses de prisão pelo assassinato a tiros...

Justiça condena homem que agrediu e ameaçou a irmã para cobrar dívida

A Justiça do Tocantins condenou um homem por agredir e ameaçar a própria irmã após cobrar uma dívida e...